Menu
Login
Codinome:

Senha:



Artigos: Verdades que não queremos ver  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/7/23
Leituras:
Tamanho:
Página para Impressão Indique a um Amigo
 

O olhar do teólogo

Verdades que não queremos ver

J. B. Libanio

                   A tradição popular conhece muito bem a jogada, algo cínica, de não querer ver o real. “Tapar o sol com peneira”. Finge-se que nada acontece, e, de fato, rolam coisas perigosas e sérias. Isso está a ocorrer no seio das famílias na relação dos pais com os filhos.

                   O filho sai com colegas estranhos. Volta com os olhos injetados. Mostra comportamento excêntrico. Atravessa a noite fora de casa. Até o bafo se torna suspeito. Os pais olham tudo e fingem que nada de anormal sucede.

                   A filha “fica” com colegas de colégio ou com outros rapazes. Mostra enorme reserva sobre suas coisas, sobre a correspondência eletrônica e sobre o tipo de companheiros. De novo, os pais se dão conta. No entanto, trancam-se num mudismo desajeitado.

                   Do lado dos jovens, está a convicção arraigada de que os pais não os entendem. E, por isso, não têm nada a dizer-lhes. Procedem como se eles não fossem seus pais e não tivessem sobre eles, muitos menores de idade, nenhuma responsabilidade. Os pais, de seu lado, se sentem desorientados com essa nova problemática. A liberdade sexual explodiu faz muito tempo. Que fazer? A droga circula fácil entre os adolescentes e jovens. Para comprá-la e usá-la, basta aquele dinheiro de bolso que normalmente tem.

                   Dos dois lados se julga que a barreira entre eles se tornou infranqueável. As culturas se distanciaram de tal maneira e com tal rapidez que os pais perderam o .

                   Que fazer? Solução fácil e cômoda leva a encaminhar os filhos a algum psicólogo ou a pessoa madura que os oriente. Os pais renunciam a tomar a questão nas mãos. Melhor que simplesmente ignorar o problema e empurrá-lo com a barriga.

                   Impõe-se aos pais, como mais exigente e imensamente mais eficaz a longo prazo, ir até os filhos e provocar diálogo franco. As primeiras palavras, o tom da voz, a situação criada decidem grandemente sobre o êxito da conversa. Em termos rogerianos, que os pais busquem uma empatia com os filhos. Mostrem, de maneira espontânea e afetiva, que eles os entendem, os amam tais como eles são, sem exigências e que a única razão da conversa se encontra no bem deles. Não se trata de falar isso, mas de criar tal clima em que as palavras fluem. Absolutamente fundamental que se evite qualquer julgamento dos filhos anterior à sua fala. Entra em questão unicamente o que eles relatam. E o ambiente deve ser tal que as palavras soem livre, espontânea e verazmente.

                   Que as razões aduzidas visem unicamente ao bem do filho para alertá-lo dos perigos que correm, dos problemas que lhe podem sobrevir. Que os pais estejam para protegê-los, defendê-los de riscos não percebidos por eles. E que tudo isso se manifeste pela ternura do tom da voz, pelas palavras escolhidas e pelos gestos afetuosos mostrados.

                  

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
Desenvolvido por ABNEXO