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Artigos: O olhar do teólogo  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/7/23
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O olhar do teólogo

Resiliência

J. B. Libanio

                   O ser humano vive sob vários imperativos. Carrega dentro de si o infinito e por isso deseja ilimitadamente. Os sonhos estendem-se em busca de horizontes inatingíveis, velejam por mares nunca dantes navegados. Eis uma face de sua existência.

                   Volta o olhar para o realismo de si mesmo e com que se depara? A condição humana indica-lhe um conjunto de limites físicos, corporais, psíquicos e espirituais. Esbarra com realidades concretas, que lhe tolhem possibilidades de realização. Experiência universal.

                   Lançado no duro real, percebe-se cerceado por dentro e por fora. Ser consciente, porém, dos limites não significa ficar preso a eles. Em sua liberdade, pode transpô-los ou acovardar-se diante deles.

                   A experiência científica da resiliência lança-nos luz para tal situação humana. Na física, ela significa a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Em sentido figurado, continua o Dicionário Houaiss, ela traduz a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

                   Assim diante de situações difíceis iguais, exigentes e até mesmo violentamente pesadas, algumas pessoas se quebram, outras saem fortificadas e enriquecidas. As reações não vêm da “condição humana”, mas de algo que existe nos sujeitos que reagem diversa e até opostamente. Conta-se, como exemplo de resiliência, a estória de dois irmãos filhos de pai alcoólatra. Um seguiu as pegadas do pai e vagueava pela cidade, molambento, enquanto o outro, cheio de garbo, ostentava currículo de vida exemplar e realizado. O alcoolismo do pai produziu em dois filhos efeitos opostos por causa da capacidade resiliente de um deles de reagir às situações adversas e superá-las e até mesmo encontrar nelas força para ir mais longe. O outro capitulou diante da marca escura do passado e atribuiu-lhe a causa do próprio fracasso.

                   A busca da realização humana implica atitude resiliente. Não faltam a ninguém condições limitantes na vida. E nas situações graves de catástrofes, de guerra, de terremotos aparecem mais claramente as pessoas dotadas de resiliência, que resistem, contornam e superam tais eventualidades. E quando feridas, recuperam-se, voltam ao estado anterior. Tal capacidade se desenvolve na infância. Assimpessoas que estão dispostas bem cedo a enfrentar com galhardia a existência nas duras provas e não se quebram.      

                  Paremos um momento e reflitamos sobre o grau de resiliência que possuimos. Basta fazer passar diante de nós breve filme das últimas dificuldades corporais, psíquicas e espirituais. E em face delas perguntemo-nos: como as enfrentamos? Detivemo-nos na caminhada diante desses empecilhos ou recobramos energias para prosseguir ainda mais corajosamente o caminho da existência?

 

 



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