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Artigos: Ocupação de terras  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/7/23
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O olhar do teólogo

Ocupação de terras

J. B. Libanio

                   Duas manchetes, duas leituras ideológicas diferentes. MST ocupa terra improdutiva, ociosa. MST invade propriedade alheia. Onde está a verdade? Trata-se de um mesmo fato. Mas os interesses em analisá-lo variam e daí as interpretação divergirem.

                   Mesmo supondo a leitura progressista e positiva de que o MST se apodera de glebas rurais desaproveitadas ou de terrenos urbanos de especulação, haverá aproveitadores entre seus membros. Vale essa presença para desacreditar todo o movimento? Claro que não. Imaginem se tratássemos todas as instituições humanas sob esse viés! Que faríamos com a Câmara e o Senado para citar duas instituições veneráveis na democracia? Tê-los-íamos fechado faz tempo. Não falta dia em que não apareçam escândalos horrorosos. Haja vista o affaire das passagens, as aposentadorias dos senadores, enfim, uma parafernália horrível de privilégios para muito escasso trabalho e seriedade de não poucos deles. Mas estão eles sendo votados por nós. Nem a Igreja escaparia do peso das críticas de maus hierarcas e clérigos ao longo da história e no presente. E daí? Nada. As realidades humanas padecem de ambiguidade.

                   O caminho correto não consiste na aceitação ingênua e cega de todas as ações do MST, como de qualquer outra instituição humana. Cabe-nos lucidez crítica para purificá-las dos desmandos de alguns aproveitadores. Também falha-se ao satanizá-la, como faz certa imprensa brasileira, ideologicamente infeccionada pelos interesses de grupos ruralistas, do agrobusiness e afins.

                   O olhar mais próximo do evangelho parte do lado dos pobres. E certamente estes se encontram em maioria no MST e não nos grupos que o criticam. A análise de suas ações e o juízo sobre elas têm a favor o fato de ele ter nascido de justa reivindicação num país que nunca quis fazer a reforma agrária. Esta grita por justiça. Há algo de mágico e primigênio no apetite desordenado por terra. Luta-se até o extremo para obter e manter privilégios. E ai de quem, por espírito solidário, se põe a contestá-los. Muitos deram a vida na luta pela justiça. Mais recentemente a irmã americana Dorothy foi brutalmente assassinada por defender direitos dos pobres de terra.

                   O princípio ético fundamental da vida humana reza: faze tudo para conviver bem e evita tudo o que dificulta a convivência. Ora tal princípio não se respeitado no referente ao problema da terra tanto no mundo rural como no urbano.

                      Na base da convivência, estão a habitação e o trabalho. Ora, a injustiça social em relação à ocupação do espaço urbano nega a muitos o direito elementar de morar bem a fim de poder conviver com os outros. E no campo, já a questão da terra se relaciona com o trabalho digno. Sem ele também dificilmente se estabelece verdadeira convivência humana. A questão, portanto, da ocupação se decide pelo direito maior da digna convivência pela moradia e trabalho.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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