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Artigos: Febre suína  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/7/23
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O olhar do teólogo

Febre suína

J. B. Libanio

                   O ser humano convive no cotidiano com o medo. Este faz parte de sua existência. As figuras do medo variam, mas ele continua presente. Revela o lado limitado e frágil do ser humano. Gostaria de vencê-lo totalmente. Sua superação total não pertence à realidade da história. Marcos não temeu dizer que Jesus na agonia do horto “começou a sentir pavor e angústia”. Assaltara-lhe uma tristeza mortal  (Mc 14, 33s)! Jesus mesmo percebeu que os apóstolos, quando de sua morte, também se encheram de medo. Nas aparições repetiu várias vezes a saudação: “a paz  esteja convosco” e “não tenhais medo”. O medo acompanha-nos na vida.

                   Em outros momentos, o medo se estende do nível pessoal para o social. E isso acontece nas catástrofes, nas guerras, nos bombardeios, nos terremotos que atingem muitas pessoas simultaneamente e causam pavor coletivo. Assolam-nos pestes, epidemias que se difundem por países e continentes. Na história, a “peste negra” tornou-se o exemplar maior de todas elas. Atingiu a Europa durante o século XIV, vitimando, segundo alguns historiadores, um terço da população da época, na base de 75 milhões de pessoas. Algo assombroso! Quadro horrendo da história humana!

                   Na atualidade, as pestes têm sido rapidamente detectadas e, em seguida, tomam-se medidas de prevenção e busca-se a cura. Vivemos um paradoxo. Identificamos com enorme rapidez a presença do vírus e fabricamos vacina apropriada, graças aos procedimentos técnicos de seqüenciamento genético do vírus. É um lado. Por outro, a mobilidade das pessoas pelas viagens aéreas levam rapidamente o vírus a outros países e continentes, pondo todo o mundo em alerta. A AIDS tem sido verdadeiro pesadelo, embora hoje se prolongue a vida dos infeccionados pelo vírus HIV. Depois vieram a “vaca louca”, a “peste aviária” e agora a “peste suína”.

                   Várias lições se nos impõem. Positivamente se assiste a uma mobilização mundial na dupla linha da prevenção e da erradicação da peste pelo empenho de cientistas e de laboratórios. Conjugam-se forças da inteligência e tecnologia. Os meios de comunicação colaboram informando as pessoas sobre procedimentos de prevenção e de rápida identificação da contaminação. Todo gesto solidário enriquece a humanidade, sobretudo em tempos de tanto isolamento, egoísmo, individualismo.

                   Deixa-nos, porém, a lição da fragilidade humana. Até países de alta tecnologia e desenvolvimento, como p. ex. a Grã Bretanha e os EUA, se viram no epicentro de pandemias. Nem eles escapam de tal risco. A vida moderna subtrai-se ao controle racional precisamente por causa da maneira como se vive, se produz, se consome. Funciona a fábula do feitiço e do feiticeiro. Alguns produtos de pesquisas, tecnologias e de comércio voltam-se contra a vida dos que os criaram.

                  

 

 

 



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