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Artigos: HOMILIA: A RESSURREIÇÃO NOS GARANTE O AMANHÃ  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2013/4/1
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A RESSURREIÇÃO NOS GARANTE O AMANHÃ

HOMILIA DE J.B. LIBANIO – 17.03.2013

PARÓQUIA N.S. DE LOURDES – VESPASIANO (MG)

Jo 8,1-11

 

Jesus foi para o Monte das Oliveiras. De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. Moisés, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?" Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão, com o dedo. Como insistissem em perguntar, Jesus ergueu-se e disse: "Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!" Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio, em pé. Ele levantou-se e disse: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor!" Jesus, então, lhe disse: "Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais".

 

Esta liturgia, tão bonita, nos colocou no trem da história, e pudemos passar estação por estação de nossa vida. Para tomarmos consciência de como estamos nos conduzindo, somos colocados diante da realidade mais profunda, que é o verdadeiro encontro conosco mesmo, sem subterfúgios.

Há dois encontros e esses aparecem claramente no evangelho, assim como existe também em nossa vida. O primeiro é um encontro doloroso e pesado, que às vezes vivemos durante anos e que muito nos machuca, que é o encontro com a lei e que os psicanalistas chamam de superego, uma lei que existe dentro de nós, que nos condena e nunca nos perdoa. Todos nós vivemos isso, uns mais, outros menos, uns mais recentes, outros mais antigos. É o símbolo dos fariseus, que carregam consigo a lei de Moisés, que lhes dizia que a adúltera deveria ser julgada e condenada, nunca perdoada. Se deixarem que o superego fale em vocês, nunca serão perdoados e reconciliados.

Nós vivemos rodeados de muitas notícias que nos deixam embaralhados, mas eu li uma notícia que me vem à memória neste momento e que me fez pensar. É daquele juiz que, na construção do Tribunal do Trabalho, em São Paulo, desviou muito dinheiro, como tantas vezes sabemos por aí. Foi condenado, depois libertado e, depois, novamente preso, já velho e, agora mais debilitado ainda (*). É a lei, terrível, que não perdoa e continua até hoje, seja a lei pública ou aquela que trazemos em nossa intimidade.

O tribunal que julgou o velho juiz não é o de Jesus. Esse não tem advogados, promotores nem condenadores. Nem, a nossa própria consciência pode nos condenar, muito menos a opinião pública. Não podemos nunca nos esquecer disso, pois, do contrário, nunca teremos paz. Jesus não condena ninguém, e se Ele não condena, quem somos nós para condenar a nós ou a quem quer que seja? O seu amor é sempre maior, o problema é que nós ainda não experimentamos profundamente, na raiz última, o que realmente é o amor. Falamos tanto de amor, cantamos, fazemos poesia, mas estamos longe de saber o que é amor. Essa é a maior carência que temos, pois amor é a certeza absoluta, sem qualquer reserva, reticência ou condição, é o dom total, a oferta inteira, direta e imediata, sem necessidade de nenhum complemento.

 Gostaria muito que nós experimentássemos aqui, nesta celebração, um pouquinho que seja do amor de Deus. Só assim aquela dor de anos, que nos corrói e nos machuca desaparecerá definitivamente, porque o amor é maior do que ela. Qualquer outra imagem ou juízo nosso é nada diante desse amor perdoante de Deus. Jesus disse àquela mulher para ir em paz, e é bom saber que, para o judeu, paz é muito mais do que a nossa paz, é plenitude de bem, alegria, festa, é shalom! Saiam daqui leves e saltitantes, porque o amor de Deus nos faz levitar. Amém.(Celebração comunitária da penitência)

(*) referência a Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, condenado a 26 anos de   

    prisão, em 2006.

 

           

 

 *Se você tem o hábito de ler as homilias do Pe. Libânio, por favor, envie uma mensagem para martatins@yahoo.com.br

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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