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Artigos: HOMILIA: VIDA É A ÚLTIMA PALAVRA  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2013/4/1
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VIDA É A ÚLTIMA PALAVRA

HOMILIA DE J. B. LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES

VESPASIANO (MG) – 30.03.2010

Lc. 24, 1-12

No domingo bem cedo, as mulheres foram ao túmulo, levando os perfumes que haviam preparado. Elas viram que a pedra tinha sido tirada da entrada do túmulo. Porém, quando entraram, não acharam o corpo do Senhor Jesus e não sabiam o que pensar. De repente, apareceram diante delas dois homens vestidos com roupas muito brilhantes. E elas ficaram com medo, e se ajoelharam, e encostaram o rosto no chão. Então os homens disseram a elas:
- Por que é que vocês estão procurando entre os mortos quem está vivo? Ele não está aqui, mas foi ressuscitado. Lembrem que, quando estava na Galiléia, ele disse a vocês: "O Filho do Homem precisa ser entregue aos pecadores, precisa ser crucificado e precisa ressuscitar no terceiro dia".
Então as mulheres lembraram das palavras dele e, quando voltaram do túmulo, contaram tudo isso aos onze apóstolos e a todos os outros. Essas mulheres eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Estas e as outras mulheres que foram com elas contaram tudo isso aos apóstolos. Mas eles acharam que o que as mulheres estavam dizendo era tolice e não acreditaram. Porém Pedro se levantou e correu para o túmulo. Abaixou-se para olhar e viu somente os lençóis de linho e nada mais. Aí voltou para casa, admirado com o que havia acontecido.

            Ontem terminávamos a celebração com a cena bonita do sepultamento de Jesus e sua última frase dita na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!”, deixando os apóstolos, seus amigos e Maria mergulhados na mais terrível noite. Tudo terminaria alí se aquela escuridão tivesse se prolongado até hoje, e seríamos as criaturas mais infelizes. Por isso vale lembrar a frase dita por Paulo: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, a nossa fé seria vã”. Podemos escolher entre acreditar na ressurreição ou na escuridão da morte – eis a interpelação da fé!

            Nenhum de nós viu ou experimentou o Cristo ressuscitado, muito menos pudemos tocá-lo, pois Ele não pertence mais ao mundo dos sentidos. Eu me atrevo a dizer que nem os apóstolos viram Jesus, pois Ele não é mais visível, escapa aos cinco sentidos, pois vive uma outra vida que ultrapassa tempo e espaço. A partir da ressurreição, Ele mergulhou no mistério de Deus, voltando para o Pai, do qual viera. Agora Ele vive do Pai e no Pai, que é Javé.

            No início desta celebração, começamos a ler trechos do Antigo Testamento para que tivéssemos consciência de quem era Javé, aquele que arranca o povo do Egito e o conduz pelo deserto, cruzando o mar Vermelho e distribuindo-lhes sabedoria. São leituras longas e até mesmo incompreensíveis, pois temos dificuldades de mergulhar nesse mistério de Deus, mas é importante saber que daí é que nasce a experiência de Jesus. Quando, na cruz, Ele sentiu a última luz se apagar, só lhe restou a lembrança que guardava no mais profundo de seu coração, de ter vivenciado ao longo de toda a sua vida, o amor de Deus Pai, a mesma experiência que também nos sustenta. Hoje, Ele pode dizer que não morreu em vão e, por isso, nós chamamos a isso de ressurreição.

            Esse é um mistério tão profundo, uma palavra tão difícil de penetrarmos que precisamos de muita fé para acreditar que todas as noites, todas as escuridões de nossa existência não são a última palavra sobre a nossa vida. Quando abrimos os jornais, os noticiários só nos mostram mortes, acidentes, corrupção, roubo, traições, suicídios, assassinatos. O mundo anda mergulhado na escuridão, e, para acreditar que isso não é definitivo em nossa vida, precisamos de uma fé muito profunda na ressurreição de Jesus.

            Hoje, mais do que nunca, precisamos nos sentir agradecidos pela nossa fé. Imagino como deve ser difícil a vida de tantas pessoas que atravessam toda a existência sem pensar que existe um mistério maior para além desta vida. Pessoas que acreditam que cada instante é a única realidade de que dispõem, que não existe amanhã, como cantava Renato Russo: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanh㔠(*). A ressurreição está aí para nos dizer que existe amanhã, e não é um amanhã de sofrimento, de vazio, mas não é porque Cristo ressuscitou.

            Esse mistério é difícil, mesmo que nós o encaremos muito superficialmente, brincando, como se Jesus fosse um simples mágico que perambulasse brilhantemente pelo mundo. Mas Ele anda profundamente é nos corações, quando experimentamos a seriedade da vida, as amizades profundas, no nascimento de uma criança. São essas as nossas experiências de ressurreição. Um biólogo francês disse uma frase que se tornou paradigma no mundo da biologia: “o preço da vida é a morte”, hoje nós podemos dizer exatamente o contrário: o preço da morte é a vida, anunciando que a ciência não tem a última palavra sobre a nossa vida, e sim o mistério da ressurreição. Amém. (Vigília Pascal)

 

            (*) cantor e compositor carioca, falecido em 1996.

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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