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Artigos: SERMÃO DO DESCENDIMENTO DA CRUZ: NA SUA MORTE, JESUS NOS DÁ A VIDA  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2013/3/30
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NA SUA MORTE, JESUS NOS DÁ A VIDA

Acabamos de assistir a uma cena que hoje é teatro, mas que um dia foi realidade.

            Pilatos apresentou aquele Jesus ao povo e disse, em latim, que era a sua língua: Ecce Homo – Eis o Homem! Hoje, olhando para as três imagens na cruz, podemos repetir: eis os homens! Estamos acostumados a ver essa imagem: Jesus no centro, rodeado pelo bom e mau ladrão, mas precisamos saber que não é verdade. Ao lado de Jesus, quem está nestas cruzes somos nós que, ao mesmo tempo, somos o bom e o mau ladrão. Estamos muito habituados a separar, dividir, colocando o mal e o bem em lados distintos, nos esquecendo que esta cena é o retrato da nossa vida, do nosso cotidiano.

            No centro da nossa vida de cristãos está o Senhor Jesus, morto e vivo na cruz. Quando lemos a narrativa da crucifixão de Jesus em São João, já podemos perceber um toque de glória no ato de sua morte, quando ele usa uma expressão latina que, muitas vezes, não entendemos. João diz que Jesus entregou o espírito, o que as traduções tomam como o momento de sua morte, mas não é bem isso. Naquele momento de sua morte, Ele passa para cada um de nós a vida, e se estamos vivos aqui nesta praça, pela graça de Deus, é porque Ele nos entregou o Espírito Santo no momento em que se entregava ao Pai. Ao mesmo tempo em que morria, nos dava a vida, e só Ele podia fazer isso. É claro que os amigos o sepultaram, mas a cabeça deles era muito pequena para entender tão grande mistério. Eles não sepultavam um morto, mas conduziam o próprio espírito de Deus oculto naquele corpo, pois a sua vida já havia sido entregue a toda a humanidade e chega hoje até nós. João nos disse que Jesus entregou o Espírito, e nós estamos aqui reunidos nesse Espírito.

            O bom ladrão somos nós, que, como Ele, naquelas horas difíceis na cruz, nas nossas horas de dor, quando pensamos que Deus se esqueceu de nós; nos momentos de crises espirituais, quando nossa fé parece acabar, só conseguimos nos voltar para Jesus e pedir-lhe que se lembre de nós quando estiver no teu reino. Não podemos nunca nos esquecer de pedir isso a Jesus, como bons ladrões que somos, seja nos momentos de dor, sofrimento, mas também nas horas de festa e alegria. Hoje temos diante de nós o maior mistério, aquele que afetou toda a humanidade de todos os tempos. Quando morre algum famoso, alguma autoridade, a mídia se ocupa do fato por alguns, para logo depois nunca mais se ouve falar dele. Jesus morreu e, dois mil anos depois nós aqui estamos. Quanta diferença! Por isso, como bons ladrões que somos, quando formos atingidos pela dor, pela falta, pela carência, peçamos a Ele que nunca se esqueça de nós, e Ele nunca nos esquecerá, pois está vivo, de uma forma que ultrapassa a nossa inteligência, sem qualquer ligação com o tempo ou espaço. Reparem bem: nós estamos aqui, agora, nesta praça e não podemos estar em nenhum outro lugar, nem em nenhum outro tempo. Mas Jesus está ontem, está hoje e também amanhã; está aqui e em qualquer outro lugar. Por isso, todos os bons ladrões do mundo poderão voltar-se para Ele a qualquer momento, em qualquer lugar para dizer-lhe que sempre se lembre de nós.

            Dói-nos dizer, mas também somos os maus ladrões quando nos voltamos para o outro lado que não é o dele. O mau ladrão, na cruz, não conseguiu acreditar que estava diante do infinito, mas ele não era tão mau assim, pois até hoje nos é muito difícil acreditar que tenha sido possível que o infinito de Deus, o Verbo eterno, coubesse naquele corpo machucado, flagelado, coroado de espinhos. Peçamos a Ele que aquele mau ladrão que existe em nós se converta no bom ladrão todas as vezes que nos afastarmos dele e que lhe virarmos o rosto.    

            Agora, já descido da cruz, está o Cristo, entregue à sua mãe, mas também a nós. Voltemos um último olhar para esta mulher, a Virgem dolorosa, a Mãe das dores, tantos nomes para dizer a mesma realidade. Hoje eu já lhes disse que todas as luzes da vida de Jesus tinham-se apagado e, quando caminhava para a cruz, mesmo não podendo ver a sua mãe perdida no meio da multidão, ela lá estava. Tudo era noite e escuridão, mas Maria velava juntamente com as outras mulheres e o discípulo amado. Era uma última luz que não se apagou. Peçamos a Maria que ela seja, na nossa vida, essa última vela acesa em todos os momentos, quando nos afastarmos da luz. Vamos rezar hoje, de modo especial, pelos nossos irmãos evangélicos. Que um dia eles descubram a beleza dessa mulher, que não agride em nada a nossa fé e em nada diminui a figura de Jesus. Ela é pura bondade, beleza, acolhimento e amor, e disso nunca podemos ter medo. Que todos um dia descubram a beleza dessa mulher que era a primeira a engrandecer e louvar o Senhor, se dizendo sua serva, acolhendo o seu Filho como seu e levando-o por toda a vida até a cruz. Os seus braços continuam abertos e nunca rejeitarão ninguém. Maria teve o seu Filho morto em seus braços, e sua dor foi imensa, mas ela tinha a certeza de que Ele estava vivo no infinito de Deus. A sua ressurreição acontecerá para nós daqui a pouco, mas ela já tinha acontecido, pois a última frase de Jesus foi: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!”, e certamente, naquele momento, Ele foi inteiramente acolhido pelo Pai.

            Que o nosso silêncio nesta praça seja o sinal de reverência a Jesus e a Maria. Que o bom ladrão em nós converta continuamente o mau ladrão e que, nas horas difíceis, confiemos em Jesus e em Maria. Amém. (Sermão do descendimento da cruz – 29/03/2013)

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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