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Artigos: Assembleia Geral dos Bispos  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

Assembleia Geral dos Bispos

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – junho de 2001

 

                   A simples reunião dos bispos da maior nação católica do mundo já assinala um acontecimento relevante. A Igreja do Brasil adquiriu por sua organização, atuação, criatividade pastoral e por alguns prelados de projeção mundial um significado para toda a Igreja universal. Isso impressiona. Mas não é o mais importante. Todo momento de revisão organizacional de uma instituição coloca-a diante da necessidade de lucidez. Nada se modifica se não porque surgiu uma insatisfação. “Não se mexe em time que está ganhando”. A sabedoria popular do futebol atinge outras realidades. A perspicácia do técnico consiste em perceber a insatisfação, a sua causa, as falhas para remediá-las.

                   Por que a CNBB se sentiu na necessidade de rever seus estatutos? O simples fato do passar dos anos não justifica. Há intervalos longos que não produzem fatos novos. Há intervalos breves que agitam mais. O olhar analítico encarreira-se na direção da novidade dos fatos que provocam a insatisfação. Declarações de bispos têm manifestado o desejo de que a CNBB se torne mais ágil, mais participativa por parte dos próprios bispos. A insatisfação refletiria a sensação de que a organização estaria escapando das próprias mãos dos bispos. E a revisão dos estatutos quer resguardar o direito dos bispos na condução da CNBB.

                   A Instituição, ao olhar a si mesma desde ela mesma, visa à melhoria de seu desempenho, à satisfação de seus membros, à harmonia entre eles, à solidariedade dos pares. Tudo justo e normal em toda instituição que existe para funcionar e durar, seguindo a lógica institucional

                   Um olhar de fora a vê de modo diferente e faz-lhe outras perguntas. No Brasil, assistimos, no momento precisamente, a esse fenômeno em relação ao Legislativo. Os seus membros buscam a convivência entre si. No caso até às custas da ética. O olhar da sociedade pressiona-os. Eles sofrem no meio de dois fogos.

                   A Igreja tem diferenças. O olhar de fora pressiona menos. A busca da salvaguarda da instituição tem um princípio evangélico que não a deixa tranqüila na sua pura defesa. No entanto, corre riscos semelhantes de pensar, numa reforma institucional, muito em si, como instituição. O olhar de fora vai noutra direção. Que revisão institucional a fará mais evangelicamente transparente, mais próxima do Jesus de Nazaré, tão livre e despojado? Tão pouco preocupado com que dizem dele?

                   O olhar de fora pede a CNBB que não pense tanto nos próprios bispos, mas no sentido da sua missão como pastores colegiados. Como cumprirão melhor a tríplice missão de ser uma presença mística e santa, uma presença pública e profética, um exemplo de comunidade fraterna e livre sem medo, sem conivências em vista do bem de todo o Povo de Deus? Como ser sacramento da união da humanidade com Deus? O olhar de fora, porque de fora, percebe melhor a repercussão externa e social da CNBB. O olhar de dentro, porque de dentro, capta melhor os mecanismos internos, a areia em sua engrenagem, os desajustes funcionais. Ora, uma revisão institucional da CNBB deveria beneficiar-se desse duplo olhar. Diria mais. O olhar de fora aproxima-se mais do evangelho, enquanto o de dentro responde mais a necessidade importante do funcionamento institucional. Não se pode negligenciar nenhum deles. Prioridade sim. E esta parece vir da pergunta maior: como ser sinal do Evangelho de Jesus Cristo para o Povo de Deus e para a Sociedade?

                  

                  

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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