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Artigos: Assembleia da CNBB  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

Assembleia da CNBB

J. B. Libanio

Jornal de Opinião - 2001

 

                   O episcopado brasileiro durante o governo militar teve papel fundamental na defesa dos direitos humanos. Posição que sensibilizou muito a opinião pública, já que a repressão atingia setores médios da sociedade de maior influência. A democratização do sistema permitiu a emergência de novas expressões oposicionistas e uma persistente acomodação da mídia ao modelo neoliberal que favorece as camadas sociais  às quais ela se vincula. Defender os pobres nunca rendeu dividendos publicitários. A Igreja continua nessa luta inglória aos olhos gordos do poder dominante.

                   Que novo tipo de presença pública cabe ao episcopado no momento atual? Os bispos debruçaram-se sobre tal questão. Começaram já marcar uma presença, ao lançar no final da Assembléia uma Declaração sobre o momento atual. Tomada de posição colegiada que revela as suas apreensões sobre a realidade brasileira, permeadas, porém, de esperanças e vislumbrando perspectivas.

                   Insegurança, aumento de criminalidade, desemprego, fome e miséria, desigualdades sociais crescentes, corrupção generalizada, violência, crescimento da dívida externa e interna, crise enérgica, a condição carcerária: eis o rosário doloroso de um povo crucificado ao lado de corruptos bem nutridos.

                   Os bispos tencionam assumir radicalmente a defesa dos pobres e sofridos do país na esperança de que se modifique o modelo econômico vigente pela tomada de consciência da população e por meio das organizações sociais e da participação política. Pretendem ter um discurso menos vago, mais contundente para alertar o povo para os engodos eleitoreiros, tão comumente produzidos por aqueles que até hoje estiveram predominantemente no poder.

                   Urge, dizem os bispos, viabilizar um projeto de desenvolvimento nacional, já que o que aí está serve a tudo menos aos interesses da nação e das populações carentes. A corrupção não é desvio do atual sistema, mas fator necessário. Como se podem conseguir votos de pessoas inteligentes contra o bem comum senão corrompendo-as? Onde não há argumentos éticos nem racionais, imperam o engano, a ilusão, os discursos redondos para os simples e a arma invencível do suborno ou dos interesses econômicos satisfeitos para os sabidos. Diga alguém que razão ética ou simplesmente sensata pode haver para financiar com dinheiro público transnacionais que aqui vêm fabricar agrotóxicos, controlar a produção das sementes, lançar no mercado remédios perigosos? Diga alguém que lógica existe em muitas das privatizações cujos bilhões de reais serviram para rechear as burras dos credores internacionais, deixando os setores vitais do país em situação precária como recentemente apareceu com a crise da energia elétrica?

                   Esse primeiro gesto, que se esboçou na Assembléia com a séria e pesada Declaração dos Bispos do Brasil, sinaliza uma vontade de não abdicar da responsabilidade social perante a nação brasileira de uma instituição que contou entre seus membros pessoas perseguidas e execradas durante o regime militar. Se novos ares de maior liberdade se respiram no espaço da política, ainda vivemos asfixiados pelos miasmas do sistema econômico, que golpeia ainda mais violentamente os pobres. Persiste o desafio de uma presença questionadora da Igreja católica no campo sóciocultural e socioeconômico. O próximo ano eleitoral apresenta-se como arena para novas batalhas na construção de sociedade alternativa e democrática que faça jus a sua etimologia: outro poder e do povo e não de seus usurpadores!

 

 

 

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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