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Artigos: A situação da Amazônia  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

A situação da Amazônia

J. B. Libanio

Jornal de Opinião - 2001

                   De quem é a Amazônia? Do mundo ou do Brasil? Digladia-se. Correta resposta é articular as duas perguntas numa só resposta. Do Brasil com responsabilidade mundial. É nossa sim, mas carregamos a enorme tarefa de cuidar dela como bem de toda a humanidade.

                   “A responsabilidade é uma função do poder e do saber” (Hans Jonas). Inverteria a ordem da afirmação do autor de uma das obras filosóficas mais importantes sobre a responsabilidade. Esta está em função do saber e do poder. Sabemos talvez pouco e podemos quase nada a respeito da Amazônia. Daí nossa terrível “carência de responsabilidade”.

                   A tarefa da mídia, dos intelectuais, especialmente dos geógrafos da estatura intelectual de Milton Santos - que nos deixou enorme vazio com sua recente morte -, dos políticos consiste em informar-nos objetiva, isenta e abundantemente sobre a complexidade do problema da Amazônia.

                   Entram em jogo interesses tão gigantescos que sempre paira a suspeita da mentira, do engodo, do escondimento tão próprios dos embates ideológicos. Paradoxalmente carecemos de conhecimento da realidade num oceano infindo de informações. Gera-se o desconhecimento pelos extremos do silêncio e do excesso de dados. Ambos paralisam. Um por falta de alimento, outro por superabundância.

                   No momento sofremos dos dois males. Paira sobre muitos aspectos da Amazônia suspeitoso silêncio. Doutro lado, agitam-se no mundo simpósios sobre a Amazônia a fim de inibir o governo brasileiro em suas decisões.

                   Quanto mais pesquisas, discussões, seminários se fizerem sobre a Amazônia e mais vozes diferentes se ouvirem, tanto mais se conseguirá ir construindo um quadro mais objetivo da realidade. Até aqui o saber. Base primeira da responsabilidade.

                   Saber sem poder frustra o conhecimento. O poder tem muitas caras. Na clássica análise estrutural da sociedade coloca-se o poder do lado do Estado. Fala-se então do poder legislativo, executivo e coercitivo (judicial e seu braço armado).  Visão pobre do poder. A sociedade desempenha enorme poder por meio do jogo das idéias, das imagens, dos símbolos, do imaginário, criado pela família, escola, igrejas e sobretudo pelos meios de comunicação social. Espaço em que todos influenciamos no limite de nossas possibilidades.

                   Cresce a consciência de um novo poder. A sociedade civil organizada: ONG, movimentos sociais, cooperativas, organizações profissionais, sindicatos, etc.

                   A Amazônia será tanto mais do Brasil quanto mais em todos esses níveis do poder ela estiver presente como objeto de consideração e decisões. Há ONGs especializadas na Amazônia. Elas cumprem tanto a função de informação quanto de pressão no campo do poder.

                   Ao conjugar-se nível maior de informação e espaço crescente de influência decisória, a Amazônia responderá à sua dupla vocação de ser do Brasil para a Humanidade.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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