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Artigos: O mal dos políticos profissionais  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

O mal dos políticos profissionais

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – 2001

 

                   A vitrine comercial mostra as melhores e mais sedutoras mercadorias. A Assembléia mineira inverteu-lhe a função. Para vergonha de nosso Estado, tem-se tornado mostrador dos produtos estragados de nossa política. Corremos enorme risco de considerar que o armazém político brasileiro de ontem e de hoje não guarda nas suas prateleiras senão mercancias não confiáveis.

                   Nestes momentos de indignação popular, duas lições se impõem. A denúncia firme de toda corrupção em busca da correção do mal e do ressarcimento do bem público lesado, atingindo a parte do ser humano mais sensível - o bolso - e a esperança de políticos melhores.

                   Numa linguagem que soa arcaica aos ouvidos modernos, Mons. Oscar Romero diante de situações semelhantes não tinha vergonha de falar do reino do pecado, do demônio. Via essas forças do mal trabalhando o coração humano tanto mais gravemente quanto mais as pessoas se defendiam e se justificavam em vez de envergonhadas reconhecerem seu pecado e converterem-se. E toda conversão exige reparação. É isso que esperamos dos políticos mineiros. “Errar é humano, perseverar no erro é diabólico”. Para que não se alistem definitivamente no exército diabólico, Minas espera não só o já anunciado rebaixamento dos salários mas gestos de devolução de tanto dinheiro acumulado às custas da população. Pela mesma via por que soubemos dos desmandos, aguardamos ansiosos ser informados das restituições de fortunas embolsadas, se legalmente, certamente não ética nem legitimamente.

                   A segunda lição é a esperança. Lutero formulara muito bem a experiência humana: simul justus et peccator - ao mesmo tempo justo e pecador. O “pecador” já apareceu nos salários nababescos. O “justo” desponta no desejo de corrigir tal distorção. E certamente virão novas ações para acordar em nós confiança e respeito para com eles.

                   O justo aparece e apareceu em tantos exemplos de políticos. Bem perto de nós, Dazinho quando foi deputado, vivia do seu salário de operário. O célebre político mineiro Pedro Aleixo, cujo centenário de nascimento celebramos este ano, se opusera ao AI 5 e por isso quando devia ocupar a presidência da República foi alijado pelos militares. No fim do mês, estes, pelo menos, mandaram-lhe o pagamento. Receberam de volta o cheque com a lacônica frase: “Não exerci o mandato”. E este mandato lhe fora injustamente cassado.

                   Se os deputados devolvessem a remuneração dos dias em que não trabalharam sobraria muito dinheiro para inúmeras ações sociais de que o país carece. Os exemplos de lisura de antigos políticos existem e permanecem como lição para os atuais. Apostando no lado luminoso das pessoas, prosseguiremos acreditando na democracia, escolhendo melhor nossos candidatos, seguindo-lhes os passos, exigindo deles coerência e honestidade no exercício do mandato. Há muita estrada a ser percorrida pela nossa democracia. A palavra é mágica. Falta-lhe dar mais conteúdo concreto. Esta é tarefa de toda a sociedade civil, vigiando para que a Constituição permaneça intocada nos ganhos democráticos e sociais que se alcançaram e  ampliada na direção de uma democracia cada vez mais popular e social.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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