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Artigos: Profissão de professor  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

Profissão de professor

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – setembro de 2001

 

                   Ser professor transcende o âmbito profissional. Profissão pertence ao mundo da representação da sociedade. Hoje se faz pela competência, pelos títulos, pelo status social. Quanto mais alto se situa nessa hierarquia do imaginário coletivo, mais estímulo e rendimentos se percebem. A atração, que a profissão exerce, mede-se pela cotação na sociedade.

                   Lado humano público necessário. O valor, que se atribui à profissão de professor, revela o nível cultural do país e prognostica-lhe o futuro. No Japão, em muitos países da Europa, especialmente na Alemanha, ela inscreve-se entre as profissões mais prezadas. Países que têm presente e futuro garantido numa sociedade do saber.

                   Por este lado, andamos mal. O descrédito salarial do professor/a especialmente de escola primária e da rede oficial faz-se-nos de mau agouro. O país anuncia-se na educação e ensino de sua infância e adolescência. Quando falha, o futuro se obnubila. E o nosso está ameaçado pelo descuido sistemático pelo cultivo de tal profissão.

                   Lutar por melhor retribuição dos professores não se restringe a ato corporativo. É cívico. Interessa a toda nação ter um professorado competente.        Não cultivar bom professorado com todos os recursos materiais, pedagógicos denota falta de visão histórica. Na educação situa-se a esperança de uma nação..

                   Sobre o professor pesam muitas expectativas que vão desde a competência profissional até a dedicação de quem se entrega ao ensino por vocação. A competência pede crescente profissionalização, adestramento no conteúdo de suas matérias e nas pedagogias correspondentes. A sociedade moderna oferece cursos contínuos de especialização. O professor necessita de tempo, de condições financeiras e de estímulo para segui-los.

                   A vocação brota de outra fonte. A etimologia nô-la sugere. Na sua raiz se esconde o semantema “vox” - voz. Alguma “voz” esconde na origem de toda vocação. Freqüentemente as vozes do interesse, do dinheiro, da glória, do triunfo, do poder. Vocações que assumem até formas heróicas. Mas nada disto é cristão.

                   São Paulo ensina-nos de que voz se trata. No Espírito, que faz de nós filhos adotivos, clamamos: Abbá, Pai (Rm 8, 15). Na origem de toda vocação cristã percebe-se a voz do Espírito Santo. Ela, por sua vez,  mantém referência fundamental à práxis de Jesus. Esta entende-se a partir do serviço. “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir”  (Mc 10, 45).

                   A vocação cristã, portanto, desperta-nos para o serviço. O professor realiza-o, ao ajudar a criança, o adolescente e o jovem a construir-se. Artesão de corações e mentes. Participa de perto juntamente com os pais do ato criativo de Deus.

                   Vocação sublime. Não gerencia dinheiros, não manipula coisas, não trabalha matérias primas. Lapida a pedra viva do educando. Quanto mais uma vocação tem a ver diretamente com pessoas e especialmente com crianças e jovens, tanto mais é sublime. Por isso ela oferece aos professores enormes alegrias próprias, ao ver crescer diante dos olhos, não torres destrutíveis, mas pessoas humanas.

                  

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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