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Artigos: Criança e o medo  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/10/10
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O olhar do teólogo

Criança e o medo

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – setembro de 2001

 

                   Horrorizaram o mundo a audácia e a força destrutiva dos ataques terroristas aos grandes ícones americanos do poder econômico - as Torres gêmeas de Nova York - e do poder militar - o centro de inteligência do Pentágono. A mídia televisiva repetiu as cenas terrificantes inúmeras vezes. As crianças beberam-nas à saciedade.

                   Por outros meios povoa-lhes a imaginação o terror veiculado por desenhos animados violentos, por filmes policiais ou por cenas de assaltos, seqüestros reais. Escapa-nos a capacidade de avaliar os estragos psíquicos que essas doses de brutalidade causam nas crianças.

                   Soma-se com freqüência que as próprias crianças presenciam algum assalto, são vítimas de roubo violento de seus objetos por pivetes que as espreitam nos arredores das escolas. Pouco a pouco o medo torna-se-lhes companheiro do dia-a-dia. Olham desconfiadas para os lados, correm de qualquer estranho suspeito, revelam ansiedade nos rostos temerosos.

                   Amassa-se o pão cotidiano do medo nas grandes cidades. Pouco a pouco ele vai-se estendendo às cidades médias e até menores. Algum destino pesa sobre nós nessa sociedade industrial e pós-industrial. Quando tudo parecia dizer que tínhamos exorcizado os fantasmas de outrora, eis-nos surpreendidos por mais temores que os antigos!

                   Como lidar com o medo das crianças? Escondê-las, trancafiá-las em condomínios fechados, isto não soluciona. Nenhum lugar escapa do alcance do medo. Elas precisam conhecer a realidade, aprender a precaver-se dos perigos, sem cair numa paranóia de vê-los por todos os lados.

                   A perda constitui-se no maior medo para as crianças. Todos os outros ancoram-se neste. E a perda, absolutamente inevitável na condição humana, fere mais fundo e até mesmo quebra as crianças frágeis. Elas se fortalecem para tal embate por meio de uma infância cercada de amor, ternura, presença dos pais e educadores. Aí está a melhor preparação para a criança lidar com o medo.

                   Alguns psicanalistas vêem nas histórias de fadas em que se narram momentos de perigo e ameaças uma função terapêutica. Ajuda as crianças a trabalhar o medo no seu mundo interior, conferindo-lhes mais segurança. A criança alimentada com muita história cria mais condições de elaborar seus medos.

                   Os perigos reais estão aí. Cabe aos adultos dimensioná-los para as crianças. À medida que os educadores evitam sensacionalismos, corrigem aqueles provocados pela mídia, oferecem um mínimo de inteligibilidade das situações geradoras, proporcional à capacidade da criança, ela se prepara melhor para enfrentar seus medos.

                   Eles não desaparecerão nunca. Tendem a crescer nas megalópoles. A melhor couraça para conviver com eles é uma infância vivida em ambientes psicológicos sadios na família, na escola, com atento cuidado do alimento imaginativo da TV,  dos vídeo-games e semelhtantes. Tal vigilância deve ser maior à noite para que o sono seja precedido de momentos de distensão e tranqüilidade em verdadeira higiene mental. Não esquecer, finalmente, a importância da oração antes de dormir sob o olhar protetor do anjo da guarda e da Virgem Maria.  A muitos medos, muitos cuidados!            

                  

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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