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Artigos: HOMILIA: UNIDOS AO TRONCO NOS FAREMOS FORTES  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2012/5/4
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UNIDOS AO TRONCO NOS FAREMOS FORTES

 (Jo 15, 1-8)

 

                Esse evangelho calha muito bem com a festa das mães. Na cultura humana há uma grande tradição que interpreta o nosso caminhar na história. Ela é hoje muito interpretada, muito usada e aplicada, baseada na teoria de Darwin – o cientista inglês, cujo centenário celebramos –, que diz que vence na vida aquele que é forte. As pessoas e animais lutam pela vida, e sempre são os mais fortes que triunfam, enquanto os fracos morrem. Assim, os bem selecionados permanecem, e aqueles que têm algum defeito morrem. Uma descoberta biológica que passou para uma visão cultural. Os povos ricos – americanos e europeus – triunfam, ao passo que os fracos africanos morrem. Os índios desapareceram quase todos, quando aqui chegaram os portugueses. Os africanos não souberam negociar sua força de trabalho e foram escravizados. Dessa maneira vai-se construindo toda a história. É o pai que, diante da família, senta-se à cabeceira da mesa, como o grande dono da casa, poderoso, trovejando sobre a mulher, cabisbaixa, sumida, sobre os filhos, que apenas podem ouvir o monstro paterno.

Tão longe está essa visão, tanto da realidade quanto do evangelho de hoje. No mundo atual triunfa aquele que sabe partilhar, que é capaz de comungar, de descer. Um fio sozinho não é nada, mas se ajuntarmos um monte deles teremos uma camisa bonita. Cinco podem valer mais que cem, desde que estejam juntos e se articulem. O menor que articulado é mais forte do que o maior. Assim são as moléculas, as fibras, os animais. Uma criança cresce porque, quando nasce, encontra dois braços que lhe tecem o primeiro berço, lhe oferecem o primeiro alimento. Se ela não tivesse essa acolhida, certamente morreria. Ela subsiste, não por ser forte, mas por encontrar uma mãe que cuida dela, além de todos os que a rodeiam: médicos, babás, enfermeiras, toda uma comunidade envolvida para que ela exista. Sozinhos, nenhum de nós vale nada. Somos pequenos pontinhos bem carentes nesta comunidade e só cresceremos se formos capazes de partilhar, de comunicar, de nos perdermos nas redes da história,

Nisso, vocês, mulheres, têm uma função única na história humana. Um homem que se arroga poderoso, quanto mais grita e se faz prepotente, mais frágil se mostra. Podem reparar: pessoas duras são fraquíssimas, enquanto a mulher, que parece tão frágil, tem uma força gigantesca. Atravessa noites e noites cuidando de seus filhos, é sempre a última a deixar o seu filho se esse vem a morrer. São suas lágrimas que lavam a história humana.

É bom que no dia das mães pensemos na maior força que a história teve, tem e terá. Se algum dia esquecermos essa realidade, que é o carinho e o cuidado que nos cercam na vida, e encararmos a realidade nos achando fortes e poderosos, pensando que podemos triunfar pela força do dinheiro, nos esqueceremos do que acabamos de ver nesse evangelho. Só aquele que se manter ligado ao tronco receberá a seiva dessa videira, que tem uma quantidade enorme de ramos. Só assim poderá crescer, porque estará ligado a um tronco cheio de vida. Precisamos estar presos a esse tronco e, junto com ele, tecer uma única árvore que nos fará crescer. Assim somos nós, Igreja. Assim são vocês, mães, tecendo a história e construindo o futuro, enquanto nós, tecendo a comunidade, construímos a Igreja. Amém. (09.05.09/5º domingo da Páscoa)

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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