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Artigos: HOMILIA: A RESSURREIÇÃO ILUMINA TODA A HISTÓRIA  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2012/4/21
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A RESSURREIÇÃO ILUMINA TODA A HISTÓRIA

(Lc 24, 35-48)

               

A medida que avançamos neste tempo pascal, a liturgia vai selecionando algumas aparições do Senhor, e cada uma delas nos revela uma face de Jesus. Quando ouvimos uma descrição como essa, podemos pensar que Lucas está narrando o fato tal qual aconteceu, pois ele é o evangelista que mais salienta a parte visível. Por ser grego, e sendo os gregos muito espiritualistas, ele temia que se imaginasse que a ressurreição de Jesus era alguma coisa fantasiosa. Então se preocupa em oferecer pequenos sinais concretos para acordar a nossa fé. Mas é importante saber que não é uma descrição. É como se ele olhasse para esta comunidade e se perguntasse o que poderia dizer para acordar a nossa memória, a memória de Deus em nossa vida. Ele percebeu que as pessoas precisavam de tempo para acordar a fé. Crer não é fácil, é necessário todo um processo, um longo percurso.

Lucas toma os dois discípulos de Emaús, que caminharam horas ao lado de Jesus, sem o reconhecer. Para Lucas, o importante não é a distância física entre Jerusalém e Emaús, mas os anos e anos que caminhamos ao lado do Senhor sem o reconhecer. Deus está sempre ao nosso lado, mas muitos de nós passamos anos ao seu lado e não o reconhecemos, não o experimentamos, caminhamos à margem da fé. Não podemos experimentar Deus com os olhos, com os sentidos, mas pela fé, e essa não é visível. Para aqueles dois discípulos, Lucas oferece alguns sinais para despertar neles a memória daquele Jesus que convivera com eles na Palestina e que agora estava ressuscitado. Não podiam esquecer que o Jesus glorioso e ressuscitado é o mesmo Jesus humano, da Terra, que fez milagres, que sofreu e morreu. Os seus pés e mãos, machucados, chagados, dilacerados serão o grande sinal de que aquele Homem é o mesmo Jesus que andou junto deles. Para nós aqui Ele apresenta os sinais das leituras, da celebração e principalmente da eucaristia. Portanto, para acreditarmos em Jesus ressuscitado, precisamos continuamente voltar ao Jesus da história, que viveu a nossa vida, que carregou as nossas dores, as nossas angústias, que precisou do apoio dos apóstolos, que se sentiu abandonado até mesmo pelo Pai. Mas nem assim os apóstolos se deram conta. Então Lucas os leva para um lugar maravilhoso, onde Jesus vivera grande parte de sua vida terrena, contemplando aquela paisagem: ao lado do lago. Para que se recordassem do que viveram juntos, Ele lhes pergunta se têm peixe para comer. É claro que Lucas não fala de um peixe físico, mas do que existia na memória, na lembrança daqueles homens, recordando-os dos encontros, das refeições, das conversas que tiveram juntos. São pequenas experiências como essa que também despertarão a nossa memória afetiva.

O evangelho está cheio de símbolos que são usados para a nossa compreensão das escrituras. Não pensem em cursinho de Bíblia não. Jesus quis dar outra coisa para todos nós e não apenas para os que se interessam por teologia. Para entendermos toda a escritura desde a criação do mundo, passando por Moisés, Noé e todos os profetas, é preciso lê-la, na certeza de que ela está preparando o nosso coração para entender que o Filho de Deus entrou na nossa história, assumindo-a bem lá de baixo, bem próximo de nós. Veio da maneira mais simples possível, colocando-se ao lado de pescadores para com eles construir uma história que chega até nós. Realmente, só poderia ser um Homem maravilhoso! Toda a escritura encontra o seu sentido, a sua compreensão a partir da morte e ressurreição de Jesus. Deter isso é deter a chave da leitura de toda a história da salvação. Sempre precisaremos muito dela, pois quanto mais andarmos em nossa vida, mais contradições veremos. Diante da morte e ressurreição de Jesus todas as nossas realidades adquirem clareza e inteligência. Amém. (26.04.09/3º. domingo da Páscoa)

 

 

 

 



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