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Artigos: Novo mandato  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/8/25
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O olhar do teólogo

Novo mandato

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – dezembro de 2006

                   Vassoura nova varre melhor, é o velho provérbio. O “nova” pode significar outro usuário da vassoura, e não foi o caso do Brasil,  ou outro momento do uso. O presidente é o mesmo, mas as circunstâncias do início do segundo mandato modificaram-se significativamente para aumentar as chances ou para sufocá-las. O tempo nos dirá.

                   De onde vêm os riscos? Não se entra em casa nova, embalado por campanha carregada de beleza e esperança, como a que assistimos em 2002. Lá tudo falava de tempos novos, de mudança de rumo depois dos anos tecnocráticos e neoliberais do Governa anterior. É verdade que pairava a ameaça de terrível desestabilização que já se manifestava com a disparada do dólar atingindo 4 reais. Hoje o presidente reinicia outro período, ferido na dignidade, sob suspeitas e debaixo de forte bombardeio das forças mais reacionárias do país. Quiseram destruí-lo no caminho da reeleição e certamente não desanimarão no jogo duro para bloquear-lhe qualquer chance de êxito. As perspectivas não sorriem.

                   Nos primeiros anos, o medo surgia da desestabilização econômica. E o governo reagiu com segurança, garantindo os índices fundamentais da leitura clássica da economia, talvez cedendo demasiado aos grandes interesses nacionais e internacionais. Não sendo vulnerável por este lado, os ataques vieram pelo flanco da ética e certamente continuarão. Basta recordar o disco rodado na campanha eleitoral da oposição. E a ética facilmente envolve o poder judiciário, que, dolorosamente, não faz jus ao nome e tem-se mostrado, com facilidade, submisso a interesses escusos.

                   E as chances? As mesmas ameaças convertem-se em chances, se se lhes virar a direção. João Paulo II, ao defrontar-se com as manchas históricas da Igreja no passado, confessou a necessidade de ”purificação da memória”. Este é o primeiro passo que se espera do atual governo. Purifique-se dessa memória conspurcada, pela verdade e pela mentira, para encetar, com a consciência pura e livre, arrancada nova para a justiça social.

                   De fora é fácil desenhar sonhos para os governantes. Toca-lhes ver a viabilidade. Mas a utopia é direito de todo cidadão de protestar contra a realidade em nome de futuro melhor. Há unanimidade entre críticos sociais que ainda falta ao Brasil fazer a reforma agrária em vista do pequeno produtor, fixando mais gente em cidades menores e desviando a avalanche humana dos ameaçadores cinturões de miséria das megalópoles para o campo. não será mais a roça de outrora, mas mundo rural com os recursos da vida urbana.

                   Fome, doença, falta de educação amarram qualquer desenvolvimento. A estreita faixa das elites desconhece soberanamente tal miséria que a circunda. Com a indústria da segurança, com a construção de condomínios cada vez mais fechados e invulneráveis, ela consegue viver no coração das tormentas violentas da cidade. Somente por meio de investimentos maciços na produção de alimentos e na sua distribuição para os carentes, na saúde e na educação, o Brasil se torna viável. Ainda estamos longe de fazer ver ao setor financeiro a responsabilidade social em face dos gigantescos lucros que amealham. Há alguns sinais alvissareiros da parte de pessoas, inseridas nesse mundo, que pensam um Brasil sem analfabeto para as próximas décadas.

                   A responsabilidade do governo, nem sempre é fazer, mas, com o perdão do galicismo, fazer fazer. E isso vale em relação a todas as forças sociais. Nenhuma está isenta de oferecer seu quinhão na construção do futuro do Brasil sob a batuta de um governo voltado para os mais pobres e necessitados da nação.

                  Chances situam-se também no susto que o governo levou, enfiado em tantas encrencas, ao reagir de maneira positiva, criativa e construtiva, deixando rancores e dores para o passado. A pequenez dos outros não deve contaminar mentes abertas.

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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