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Artigos: Aliança, compromisso e coalizão  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/6/6
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                                Aliança, compromisso e coalizão                               

J. B. Libanio

O Tempo – 21 de novembro de 2010

                   Cada tipo de saber cria os próprios conceitos, mas não sem influência da cultura circundante e de outras ciências. Ao concluirmos o segundo turno e termos firmado os vencedores, entraremos na fase dos arranjos políticos entre os partidos que compuseram a frente vitoriosa.

                   A relação entre eles varia muito. Essa breve reflexão semântica sobre alguns termos pretende ajudar a iluminá-la. Três conceitos vêm mais à baila: aliança, compromisso e coalizão. Enfileirei os termos em ordem de seriedade e gravidade de ligação entre os partidos.

                   Aliança só existe onde a comunhão entre os parceiros chega a grau elevado. A Bíblia usa tal vocábulo para traduzir a relação entre Javeh e o seu povo. Da parte de Deus se trata de uma relação definitiva e de amor sem limite à espera da mesma fidelidade do povo. Nela existe profunda comunhão de interesses, de projeto de vida e de ação. E toda vez que o povo falhava, surgia algum profeta para acordar-lhe a memória da aliança do Sinai em que ambos juraram fidelidade. Não vejo que haja real aliança entre os partidos, porque não existe tal comunhão de projeto, mas simplesmente interesses de caminho para chegar ao poder e participar dele.

                   Daí que as contrapartidas não se igualam, como numa aliança. Outro símbolo delase encontra nas relações humanas entre noivos e esposos. E alguns consagrados a Deus também a usam no mesmo sentido de um desejo de levar uma vida em profunda união em tudo o que seja possível. De tal modo assim se pensa que ao romper tal vínculo, as pessoas espontaneamente retiram do dedo a aliança.

                   Para curto prazo e pedaços de caminho, fazemos compromissos. A fim de chegar ao poder cada partido se compromete somar votos, defender os mesmos candidatos, mantendo, porém, seu plano ideológico, muitas vezes bem diferente. O compromisso cessa, de certa maneira, quando termina a finalidade pela qual ele se criou. Depende, portanto, dos termos de partilha, anteriormente combinado, para estabelecer a nova ordem. Não significa igualdade e reciprocidade completa como na aliança.

                   Mas fracas ainda parecem as coalizões. Têm o caráter tipicamente conjuntural. Marcos Coimbra usou expressiva metáfora nesse sentido, ao referir-se ao “condomínio governista” que facilmente arrrisca mostrar fissuras, desde que o forcem com armas pesadas.

                   Passada a poeira das eleições, os partidos se encontram no momento de pensar o alcance dos compromissos e o resultado das coalizões sem a ambição de criar uma aliança a menos que comungassem na totalidade do projeto vitorioso.

                   O próprio partido vencedor carece de esclarecer para si o seu verdadeiro projeto que, talvez tenha obscurecido no calor da luta, para ampliar a coalizão vitoriosa.

                   Mais uma vez, a experiência de Israel ajuda-nos. Toda vez que Israel se encontrava em situações semelhantes, os profetas recordavam a experiência fundante e primigênia do povo. Lá se encontram as luzes. Que o partido vencedor faça o mesmo e descubra o carisma inicial de sua existência para a partir daí estabelecer os limites das concessões aos grupos comprometidos e de coalizão.

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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