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Artigos: Dia mundial das missões  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/10/7
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O olhar do teólogo

Dia mundial das missões

J. B. Libanio

 

                   A Igreja entende-se missionária por natureza. Existe para testemunhar e anunciar a todos os povos o evangelho de Jesus, segundo o seu mandato. Toda a Igreja tem ineludível vocação missionária.

                   A Igreja da América Latina, até então objeto de missão, percebe que chegou a hora de inverter o movimento e assumir vocação missionária. Alguns dados estatísticos reforçam esse apelo. Quase metade dos católicos do mundo encontram-se no nosso Continente e ele contribui com só 1,5% do pessoal missionário. O mundo atualmente conta com unicamente 18% de católicos. 2/3 não professam a fé cristã. Tal situação clama aos céus, se olharmos para a Ásia que agrupa mais da metade da população mundial, mas com somente 2,5% de católicos.

                   A responsabilidade missionária da América Latina vem tanto por exigência da própria vocação eclesial quanto por imposição dos fatos que nos fazem, na expressão do saudoso João Paulo II, "o Continente da esperança missionária".

                   A nossa história de colonização fez-se à custa da escravidão dos africanos. Como dizia Vieira, “não há Brasil, sem Angola”. Temos, portanto, especial responsabilidade em relação à África. A América Latina sente-se devedora e culpada respeito ao Continente negro pelos milhões de filhos seus trazidos como escravos. Está na hora de devolver em fé e libertação, o que roubara em escravidão. O fator histórico e ético sobreleva ao simples dado estatístico.

                   O espírito missionário não se restringe a nenhuma região. Mais: ele implica compreensão interna da vocação cristã. Todos nós, onde estejamos, participamos da vocação missionária pela oração, ajuda material e espiritual, compromisso com a comunidade, vivendo assim a graça batismal. Outubro vem-nos despertar para essa vocação, que, se realizada, impregnará a comunidade de mais vida e esperança.

                   A vocação missionária define-se a partir de duplo movimento interior. Tomamos consciência da imensa graça de ser cristãos. Dom absolutamente livre da parte de Deus. Ele não nos impõe nada. Só manifesta amor sem limite. Assim sendo, brota, de maneira espontânea, dentro de nós, desejo de resposta. Dizer a Deus que estamos felizes, que nos encanta chamar-nos cristãos parece pouco. Queremos que outros participem dessa mesma graça. Que fazer? O Bem difunde pela sua própria força, diziam os Antigos. O dom de Deus  participa desse mesmo dinamismo interno. E difundi-lo significa anunciá-lo aos outros. Atividade tipicamente missionária. Ela nasce, portanto, da consciência da presença do amor de Deus em nós. Quanto maior clareza tivermos dessa experiência, tanto mais arderá em nos o zelo missionário. Graça recebida, graça comunicada. No príncipio está Deus a cumular-nos de dom. Na sequência a gratidão nos incentiva à ação. Tudo acontece no reino da graça e do amor. Fora dele não existe verdadeira missão. Nada de conquista, de medo, de complexo de salvador. Pura graça, pura liberdade, pura generosidade.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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