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Artigos: HOMILIA: FAÇO PORQUE QUERO, QUERO PORQUE AMO  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/7/19
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FAÇO PORQUE QUERO, QUERO PORQUE AMO!

HOMILIA DE J.B LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES

VESPASIANO (MG) – 18.07.2010

(Gn 18, 1-10a/Lc 10, 38-42)

Jesus e os seus discípulos continuaram a sua viagem e chegaram a um povoado. Ali uma mulher chamada Marta o recebeu na casa dela. Maria, a sua irmã, sentou-se aos pés do Senhor e ficou ouvindo o que ele ensinava. Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa. Então chegou perto de Jesus e perguntou:
- O senhor não se importa que a minha irmã me deixe sozinha com todo este trabalho? Mande que ela venha me ajudar.
Aí o Senhor respondeu:
- Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela.

            A primeira leitura e o evangelho refletem uma cultura que nós, mineiros, tínhamos, mas estamos perdendo. Parecíamos muito com Abraão, mas agora estamos ficando diferentes. Nem bem avista os hóspedes, Abraão se alegra, ao invés de ficar desconfiado. Ele sai em direção a eles e, exageradamente, prostra-se, convida-os a entrar, mesmo não tendo nada além da sombra de uma árvore. Para quem chega, ele prepara as mais finíssimas iguarias. Depois ainda, de pé, assiste aquela refeição. Quanta hospitalidade! Apenas essa cena valeria a homilia. Que bom seria se recuperássemos essa qualidade que tínhamos e que era típica do mineiro, de ser acolhedor, abrindo casas e braços para acolher as pessoas! Abraão nem sabia quem eram aqueles três homens, poderiam até ser assaltantes, e já os chamou de senhores. E deles veio a grande surpresa. Pena que nós não sabemos a surpresa de receber alguém. Um daqueles homens vai anunciar que o seu maior desejo seria realizado: a sua esposa, já velha, já sem esperança, teria um filho em seus braços. Que bela resposta a tanta hospitalidade! Esse texto foi lido e relido, estudado pelos Santos Padres, e reconheceram naqueles três homens um sinal da própria Santíssima Trindade, significando que, na acolhida ao estrangeiro, acolhe-se a própria Trindade, a fonte da vida. Essa passagem é cheia de simbolismo. Parem, pensem, rezem e se perguntem se ainda resta um pouquinho de Abraão em seus corações. Será que as visitas apenas nos irritam, os hóspedes nos aborrecem, e os afastamos como pessoas importunas?

            O evangelho é mais intrigante ainda. Há uma interpretação imediata que é clássica, mas eu vou deixá-la de lado: Marta simbolizando a vida ativa das pessoas envolvidas nas realidades; e Maria voltada para a vida contemplativa, que tem nesse texto um reforço à sua vocação.

            Marta fez a coisa mais linda, que muitos de vocês fazem. Sabendo que Jesus viria a sua casa, ela se desvela por Ele, voltando-se inteiramente para servir-lhe, cumprindo o seu dever de anfitriã. Mas Jesus desconfiou dessa atitude, mesmo carregada de amor. Ele sentiu que Marta agia mais por obrigação de bem acolher a quem chegava, bem diferente de Maria, que acolhia na gratuidade. Enquanto Marta queria fazer um presente para Jesus, Maria recebe o presente de sua palavra e se fazia presente. É uma diferença sutil. E o aspecto mais intrigante é que Jesus prefere Maria à Marta, mesmo que ela não fizesse nada para bem recebê-lo. A partir daí é que vem a reflexão.

            Provavelmente, aqui há muitas Martas, como também há muitas Marias, mas Jesus está muito mais contente com as Marias. Martas são aquelas pessoas que veem à missa por obrigação, senão cometem pecado e podem ir para o inferno. Maria vem, mas porque ama, porque aquele a quem ama está aqui. Ela não é movida por obrigação nenhuma. Não pensem que eu estou aqui por obrigação, que estaria muito melhor na minha casa, escrevendo meus artigos, meus livros, inteirando-me das notícias do mundo. Enganam-se. Estou muito mais feliz aqui, porque amo estar aqui celebrando com vocês. De que me adiantaria tanta teologia? Vale muito mais eu celebrar com amor do que todos os livros escritos durante todos esses anos. Os livros são Marta, o amor é Maria. Olhem para vocês e falem a mesma coisa. Tudo o que vocês fazem é Marta, enquanto tudo o que amam é Maria. Jesus não desfaz de Marta, é importante que sejamos Marta, mas Ele prefere Maria.

            Procuremos essa gratuidade de acolher e amar as pessoas. No dia em que vierem a esta celebração, não porque o pai vem ou porque a mãe pede para virem, mas porque aquele a quem amam está aqui, vocês terão descoberto o sentido desse evangelho. Só então farão porque querem e quererão porque amam. Só o amor é a razão verdadeira para fazermos dignamente as grandes coisas. Apenas o amor, sem qualquer outro complemento ou adjetivo. Quando colocamos adjetivos ao amor, é porque já não é amor. Termino com uma das frases mais lindas de Santo Agostinho: “Somos o que amamos!”. Amém. (16º. domingo comum)

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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