Menu
Login
Codinome:

Senha:



Artigos: Trabalho ambientalista  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/7/15
Leituras:
Tamanho:
Página para Impressão Indique a um Amigo
 

O olhar do teólogo

Trabalho ambientalista

J. B. Libanio

05 de julho de 2010

                   A inteligência conhece vários caminhos. Nada de novo, sob o sol, repete o Eclesiastes (1, 9). Pela via da tradição, aprendemos dos antigos e repetimos o passado. As paisagens que nos cercam ostentam belezas. Mas todas dadas. Contemplamos mais que agimos. Usufruímos mais que produzimos. Vivemos mais de ontem que de hoje e para amanhã, com tanta maravilha, carente de novidades.

                   A modernidade abriu o caminho da transformação da realidade. Olhava para uma montanha de ferro e via no final saírem milhares de máquinas. Detinha-se diante da correnteza de um rio, e sonhava com hidroelétricas a iluminar cidades. Sentimo-nos maravilhados pelas criações da tecnologia. Lentamente, porém, essa inteligência se funcionalizou, se formalizou grandemente. Transformou-se em razão instrumental. Tudo o que lhe cai sob a garra, vira objeto, meio para servir, com competência e eficiência, a um fim tecnológico. Tem devastado a natureza e criado gravíssimos problemas. Se esse caminho começou glorioso, hoje conduz ao cemitério.

                   A pós-modernidade dá salto qualitativo. Vemos no exemplo de ecologistas e ambientalistas. O minério lavado joga detritos na água. Pena, diria o pensamento moderno, pois precisamos de ferro para crescer. Preço a pagar pelo desenvolvimento. Este não cai sob nenhum juízo. Impõe-se pela evidência. Mas o pós-moderno pensa diferente.

                   A tarefa não se reduz à eficiência da exploração do minério. Precisamos transformá-la em vida para todos, começando pela água do rio. Entra então a imaginação. Alguém sonha que aquela poeirinha de ferro, retirada das águas produz dois efeitos. Limpa a água e com outros elementos constroi pavimento para as ruas da cidade. Somam-se criatividade com eficiência. Criatividade nova, diferente da taylorista e fordista americana. na fábrica se produzem máquinas pela sequência repetida, mecânica de gestos. Que o diga Charles Chaplin no filme Tempos Modernos (1936) em que o operário repete o gesto mecânico da fábrica nos sonhos e na realidade do cotidiano.

                   Agora a criatividade nasce da fantasia, da inventividade humana que põe, em primeiro lugar, a humanização e não a eficiência e a competência produtiva. A pergunta que provoca a criação soa diferente. não se pergunta como fazer funcionar melhor a máquina. Mas como trazer vida para onde a indústria semeia morte, como injetar beleza onde  a modernidade enfeia com os interesses imediatos da produtividade.

                   A mudança aconteceu no olhar. O ecologista e o industrial miram diferentemente a realidade. Este dirige tudo para o produto final abundante a fim de gerar muito lucro. Investe nisso competência e eficiência. Aquele contempla beleza e humanidade. Elas merecem nossos esforços de imaginação para criar outro mundo que assim se torna possível.

                    

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
Desenvolvido por ABNEXO