Imagem do Brasil no exterior J. B. Libanio 07 junho de 2010 O mundo arma gigantesca vitrine para o Brasil. Lá se mostram vários tipos de caras do país. Milhares saíram daqui em busca de emprego. Carente ou ambicioso, submisso ou trabalhador, aventureiro ou necessitado chega com o sonho do dinheiro rápido e fácil para amealhar bons cobres e voltar. Topa tudo, enfrenta situações adversas com o olho no euro ou no dólar. Muitos levam pouca bagagem cultural. Revelam rudeza ao lado de garra. Há grupos da elite que também se transferem para o estrangeiro. Diferentemente dos anteriores, recebem polpudos salários. Bem assentados, não voltam. Na maioria lá vão atraídos pelo encanto de vida melhor, de consumismo abundante, de salários bem pagos, mesmo que à custa de humilhações, de tratamento ríspido e de incertezas em face da polícia de migração. Representam o movimento oposto de séculos passados em que recebíamos pessoas desse nível para ganhar a vida aqui no Brasil. Agora exportamos brasileiros para vergonha da política econômica do país. Circula por lá multidão de estudantes brasileiros com os olhos em título universitário a fim de enfrentar a vida acadêmica. A fama das universidades européias e norte-americanas os atrai. Intercâmbios, bolsas financiadas pelo Governo brasileiro e outras instituições estatais ou particulares permitem tal movimento de estudantes. Alguns ficam por lá. A maioria volta e insere-se no mercado intelectual do país. Com a estabilidade do real e com o enfraquecimento do dólar e mais recentemente do euro, as facilidades turísticas cresceram. Encontram-se grupos de brasileiros de diversos níveis culturais a perambular pelo estrangeiro. O interesse artístico anima a muitos, frequentemente unido à sedução do consumismo. Voltam com bagagens pesadas de compras feitas em lugares de fama internacional. O europeu ironizou o turista americano que diante dos monumentos e obras de arte simplesmente comprava um cartão postal para enviar para os parentes e amigos com o simples dizer: eu estive aqui, mas sem dar-se conta e apreciar culturalmente as belezas da arte europeia. Não faltam brasileiros desse tipo, como aquele que me disse em Roma, porque não abriam uma avenida ainda mais larga para escoar o tráfego, limpando aquelas ruínas velhas do Fórum romano ou do Coliseu. Como esquecer o desportista brasileiro que joga nos principais times do estranheiro com a dupla imagem de excelente jogador e de esbanjador de dinheiro, já que alimentado por altos salários? Ultimamente o Brasil tem ocupado as manchetes internacionais pela política internacional, pela figura carismática do Presidente Lula e pela ousadia de iniciativas como o diálogo com o Irã. Os comentários oscilam entre estranhamento, desconfiança e rejeição, de um lado, ao julgar grandes demais as pretensões do país e, de outro lado, admira-se e teme-se o acordar do gigante. |