| Artigos: Eleições | |||
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O olhar do teólogo Eleições J. B. Libanio A democracia liberal não encerra a caminhada política da cultura humana. Em vão se escreveu que ela significava o fim da história. E imaginou-se então que, doravante, nada mais nos restaria senão copiar os modelos democráticos dos países nórdicos. Sem dúvida, ela trouxe, em relação à monarquia absoluta, expressivo avanço. Permitiu-se que os cidadãos escolhessem os próprios dirigentes e não se entregou tal tarefa ao jogo cromossômico das famílias reais. A história mostrou como nelas se geraram e se perpetuaram traços patológicos. As eleições de governantes não se isentam de erros graves. Vimos recentemente homens truculentos comandarem nações poderosas. No entanto, o sistema eletivo permite a rotatividade e a substituição dos políticos em períodos programados de antemão. Vale a tirada espirituosa de politólogo americano, depois de eleição de um presidente despreparado e incompetente: “a democracia suporta-o por alguns anos”. E se fosse um príncipe herdeiro jovem com previsão de muitos anos de regência a situação se configuraria diferentemente. Ao chegarmos à democracia das eleições, cabe-nos pensar para frente e não para trás. Não nos assalte, em face de políticos eleitos, que se mostraram corruptos, irresponsáveis e desmerecedores da confiança do povo, a veleidade de sonhar com algum regime autocrático militar ou não. Em face dos erros e da fragilidade do sistema eleitoral, avança-se criando corretivos democráticos. O projeto popular Ficha Limpa mostrou-se como ensaio de futuro promissor. A força da mobilização do povo ainda tem muito espaço para crescer. Faltam-nos mecanismos de participação direta na cassação de políticos, na demissão de funcionários, na correção de deslizes do judiciário. Todo ser humano, por mais alto cargo que ocupe, carece de instância que o julgue, que lhe supervisione o comportamento. O Lord inglês Acton formulou de maneira contundente tal evidência: “Todo poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”. A história, a mestra da vida, nô-lo tem ensinado sobejamente. Nada pior que a arrogância de quem se pensa acima da lei. A pulsão autoritária o conduz a loucuras. Desde os imperadores romanos até os Hitlers e Stalins existe escura galeria de déspotas. E isso não vale unicamente de pessoas instaladas em posto alto de comando. Por ocasião do Ato Institucional n. 5 que outorgava ao Governo Militar poderes incontroláveis, o político Pedro Aleixo, com sabedoria mineira, comentava que temia não somente o autoritarismo dos poderes maiores, mas o do guarda da esquina. Políticos se comportam fraudulentamente na certeza da impunidade de sistema conivente e corporativista. Nesses casos, somente força isenta, de fora, conseguirá barrar audácias e arrogâncias. O ano de eleições abre espaço para repensarmos o sistema representativo a caminho de democracia participativa popular com aumento do poder jurídico e da capacidade organizativa das mobilizações populares. |
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