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Artigos: Entre a transmissão e a informação  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/7/15
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Entre a transmissão e a informação

J. B. Libanio

O Tempo – 06 de junho de 2010

                   A cultura da mídia leva ao extremo o paradoxo do conhecimento. Sem ele, não se pensa, não se entende a realidade. Como falar da virtude, do bem, da verdade, dos valores, sem antes ler, conhecer os clássicos da filosofia, das tradições religiosas? Cada geração não inventa a cultura. Bebe nas fontes do passado. Chamemos tais conhecimentos com Régis Debray, especialista em mediologia, de transmissão. Porque entre nós e o passado existe o corpo social da Escola, da Universidade, das Igrejas que reelaboram tais conhecimentos e os veiculam. Se vivêssemos unicamente deles, teríamos profundidade, horizontes amplos, mas desconheceríamos o pequeno cotidiano, semeado de mínimos acontecimentos.           

                   O outro extremo concentra-se praticamente na informação-notícia. se interessa pelo passado para tirar dele aspectos anedóticos, hilariantes. Vive do presente. E que presente? O do sensacionalismo, do impacto, do escândalo, da violência, dos crimes hediondos, das catástrofes, do sexo, dos últimos resultados de pesquisas, dos gritos científicos de novidade, do esporte de massa, do exibicionismo bigbrotheriano dos corpos e das interioridades para grandes multidões. Enfim, predominam as banalidades, o vazio, a triste condição humana no que ela tem de pior. E a reputação de políticos, de homens de Igreja, de personagens enxovalha-se. Escurecem os ares e a esperança no ser humano míngua. Não significa mentira, mas extremismo unilateral.

                   Que falta nesse extremo da informação? A profundidade do olhar da transmissão, manter a esperança no ser humano, descobrir a luz fulgurante no meio à escuridão fotografada.

                   A política, como exercício humano fundamental, vem sendo destruída pela informação extremada. Vêm a público escândalos de políticos, passados de vida íntima que se escondiam no interior das pessoas. Abrem-se as janelas para o grande público de quartos escuros das confidências secretas. A luz da publicidade exerce positiva ação de intimidação de possíveis crimes. No entanto, ao bater unilateralmente sobre instituições sociais, sobre classes de pessoas, corroi a confiança maior e injeta suspeita onde ela não existe.

                   A informação lentamente plasma a cultura e constroi o futuro. Os noticiários ameaçam edificar um Brasil mais de cinismo que de compromisso social, mais de esperteza que de honestidade, mais de crime que de virtude. Passa-se a imagem de nada existir de sadio no país desde as altas instâncias do poder executivo, judiciário, legislatiavo e das Igrejas até o policial da esquina passando pelo interno das famílias e das relações humanas.

                   Cabe contrabalançar tal tipo de imprensa com a beleza, o heroísmo e a grandeza política, religiosa e humana de tantos acontecimentos. À guisa de exemplo, na região de Brasília aconteceu a II Assembléia PopularMutirão por um Brasil novo, onde se reuniram forças vivas e realmente democráticas do povo. E a maioria do país dorme na ignorância de tal esperança.

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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