Menu
Login
Codinome:

Senha:



Artigos: HOMILIA: ABREM-SE AS PORTAS DA HISTÓRIA!  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/7/5
Leituras:
Tamanho:
Página para Impressão Indique a um Amigo
 

ABREM-SE AS PORTAS DA HISTÓRIA!

HOMILIA DE J.B. LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES

VESPASIANO(MG) – 04.07.2010

(At 12, 1-11/2Tm 4, 6-8.17-18/Mt 16, 13-19)

Jesus foi para a região que fica perto da cidade de Cesaréia de Filipe. Ali perguntou aos discípulos:
- Quem o povo diz que o Filho do Homem é?
Eles responderam:
- Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum outro profeta.
- E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? - perguntou Jesus.
Simão Pedro respondeu:
- O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo.
Jesus afirmou:
- Simão, filho de João, você é feliz porque esta verdade não foi revelada a você por nenhum ser humano, mas veio diretamente do meu Pai, que está no céu. Portanto, eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu.

            Hoje comemoramos a solenidade de São Pedro e São Paulo, e eu me perguntava a razão de não se fazerem duas festas separadas. Evidentemente, não terá sido por casualidade ou motivos secundários, mas por uma intenção profunda. Há também todo um simbolismo, que eu considero dos mais bonitos que temos.

            Comecemos pela prisão de Pedro que, a princípio, parece-nos uma descrição, mas é muito mais. Há um homem chamado Herodes, daqueles que, como tantos neste nosso mundo, querem a festa a custa dos outros. É toda uma circunstância que se cria para nos envolver, para que gozemos, aproveitemos, nos alegremos sem nos perguntar quem estará pagando por isso. Herodes gostou de o povo ter ficado feliz quando ele degolou Tiago. Resolve então pegar o chefe deles, que era Pedro, o que faria o povo mais contente ainda. Era uma realidade que os romanos já conheciam: pão e circo. Pão para o povo comer enquanto viviam em grandes festas, o circo. Assim, esqueceriam da vida, de si mesmo, dos próprios problemas, de todas as injustiças que existem. Assim pensava Herodes e tantos outros ditadores, como continuam pensando tantos meios de comunicação. Fazem grandes programas em que distribuem inúmeros prêmios em meio a muitos jovens bonitos, anestesiando as pessoas para o bem, a verdade e a beleza. Pedro foi a vítima!

Mas veio o anjo, e não necessariamente do céu, isso é o menos importante. Acredito que os anjos estão entre nós, talvez entre os que mais desprezamos. Não podemos esquecer que o que lemos nas escrituras são leituras para hoje e não para um passado que ficou bem atrás.  Pedro dormia, estava despreparado, sequer tinha sandálias. O anjo acorda-o, manda que ele ponha o manto e saia. Ele achou que sonhava. Quando encontramos uma pessoa boa que nos toca e fala ao nosso coração, imaginamos que seja um anjo ou um sonho. Mas ele se levanta, passa pelos guardas, que não o veem, e chega diante do imenso portão da cidade, que se abre. O portão da história se abriu, para que Pedro pudesse passar e chegar até Roma.  Ao cruzar aquele portão, ele toma consciência de que Deus o salvara. E a leitura vai mais longe ainda, ao dizer que a comunidade rezava continuamente por ele. Portanto, temos aí oração, comunidade, liberdade.

            A história de Paulo também é outra beleza. Ele, que chegara a ser assassino ao participar diretamente da morte de Estevão; invadiu casas, perseguiu cristãos, jogando-os no cárcere, ainda tem coragem de dizer que combateu o bom combate? Realmente, foi tudo isso, mas encontrou Cristo e se transformou. Quando caminhava para continuar a perseguir os cristãos, uma luz fulgurante toca-lhe o coração. E hoje eu desejo a cada um que está aqui nesta igreja que encontrem um anjo e sejam luz, mas que também sejam um anjo para os outros e também recebam a luz que deles vier. Quantos sofrem porque nunca encontraram uma luz e continuam vivendo nos calabouços da existência? Há tantos cegos do coração andando pelas nossas ruas sem jamais encontrarem uma palavra luminosa para suas vidas! Paulo encontrou essa luz, como Pedro encontrou o anjo. Mas, e nós? Fica a pergunta.

            Em Roma, podemos encontrar outro simbolismo bonito. Lá, no centro do Vaticano, sobre o túmulo de Pedro, está erguida a Basílica de São Pedro, a maior igreja católica do mundo. Portanto, Pedro significa o centro, o interior, todos nós, enquanto comunidade. Cada um de vocês, com sua presença, seu coração, seus desejos, sonhos e todas as ações que realizam para que esta comunidade exista, são Pedro. Mas se fôssemos apenas isso, seríamos muito pouco.

            Na mesma Roma, onde se ergue a Basílica de Pedro, ergue-se também a Basílica de São Paulo, só que essa está construída fora dos muros originais da cidade. Assim, Pedro é de dentro, enquanto Paulo é de fora. Pedro cuida dos que estão em casa, mas Paulo cuida, zela e busca os que estão fora. Precisamos ser Paulo também, e buscar, trazer as pessoas que estão fora daqui, que ainda não constituem esta comunidade, mas que, no projeto salvador de Deus, integram o seu plano universal. Nenhum ser humano escapa do coração de Deus, mesmo que escape de nossos olhos, míopes e pequenos. Se formos um pouquinho mais de Paulo, nossa Igreja não comportará mais as pessoas. Se esta comunidade está bem, é porque somos bem mais Pedro, mas precisamos desenvolver nossa porção Paulo e trazer para junto de nós tantos que continuam por aí afora. Amém. (14º. domingo comum – Festa de São Pedro e São Paulo)

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
Desenvolvido por ABNEXO