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Artigos: HOMILIA: PELA TRINDADE, SOMOS CRIADOS PARA A COMUNHÃO  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/6/21
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PELA TRINDADE, SOMOS CRIADOS PARA A COMUNHÃO

HOMILIA DE J.B. LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES

VESPASIANO (MG) – 30.05.2010

(Jo 16, 12-15)

- Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não poderiam suportar isso agora. Porém, quando o Espírito da verdade vier, ele ensinará toda a verdade a vocês. O Espírito não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouviu e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. Ele vai ficar sabendo o que tenho para dizer, e dirá a vocês, e assim ele trará glória para mim. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso eu disse que o Espírito vai ficar sabendo o que eu lhe disser e vai anunciar a vocês.

            Hoje é a festa da Trindade, o mistério maior de nossa fé. É sempre bom dar um mergulho na etimologia, que é o húmus que nos ajuda a compreender como nasce uma palavra, que nunca nasce do nada, mas de dentro de uma experiência. Por exemplo, a palavra Deus está ligada com dia, com luz, portanto, Deus nunca pode ser escuridão. Mistério vem de uma experiência muito bonita: muein em grego, significa falar baixinho, sussurrar. Nós só podemos falar baixinho quando entramos num ambiente respeitoso, silencioso. No meio de uma multidão, não podemos falar baixinho, muito menos no meio de uma torcida de jogo de futebol.. Portanto, mistério só pode ser falado num lugar de respeito e tranquilidade. Assim era no mundo grego, onde existiam belos templos nos quais eles entravam, silenciavam-se para se encontrarem com seus deuses, diante dos quais falavam de seus desejos, seus sonhos, seus mitos. Mistério deveria, portanto, falar de coisas bonitas, que nos tocassem bem dentro. Popularmente, pensamos que mistério é algo confuso, difícil e, justamente, por isso, preferimos deixar de lado. Eu diria que é exatamente o contrário. Comparo o mistério com o sol. Nenhum de nós é capaz de olhar fixamente para o sol, pois é luz demais que só pode nos ofuscar, não por precisar ficar escondido, mas justamente por seduzir e iluminar todas as realidades. Quando o sol desponta no horizonte, os píncaros das montanhas vão se iluminando, a luz vai descendo até inundar toda a Terra, fazendo com que tudo apareça aos nossos olhos.

            Assim é com o mistério. Quando ele chega, as coisas se tornam claras, pois ilumina todas as nossas realidades, ainda que nossos olhos espirituais não consigam se fixar na beleza fulgurante da Trindade. Pensávamos, e algumas pessoas ainda pensam, que o ser humano é um ser sozinho, conquistador, fechado em sua própria autonomia. Mas é exatamente o contrário, pois quando o homem se fecha nele mesmo, pode até enlouquecer. Falar é um sinal de normalidade, de partilha. Quem nos criou não foi um Deus solidão, fechado nele mesmo. Somos o que Deus criou em nós e, sendo Ele comunidade, dom de si para o outro, aquele que juntamente com o Filho, criou uma comunidade com o Espírito, só podemos querer nos derramar para as pessoas, porque não fomos criados por uma solidão, mas por uma comunhão. Quanto mais partilharmos, mais sadios seremos, psíquica e espiritualmente. A sanidade e a beleza vêm da comunhão e da partilha, porque desde o início que nunca teve início está a comunhão continuamente a nos criar.

            Mas não podemos apenas pensar em nós. Quando estamos em família, se cada um fica calado, com a cara amarrada, sentimos que alguma coisa está errada. Uma família que não partilha é doente, porque fomos feitos para a comunhão, e se negamos o que há de radical em nós, criamos uma ruptura interna e nos dilaceramos. Esse é um princípio que vale para todos os níveis de nossa vida social. Precisamos partilhar, seja no sofrimento, na festa, na alegria, na dor. Muitas vezes somos infelizes no trabalho porque esquecemos a nossa origem trinitária. Não conseguimos nos comunicar e voltamos esgotados ao final de um dia de trabalho. A Trindade nos invade radicalmente, mesmo que não nos demos conta. Somos Pai, Filho e Espírito Santo. Até uma criancinha pode ser pai, pois os seus pais podem aprender muito com ela. Ela também comunica alegria na família, motiva seus pais para continuarem trabalhando. Todos nós carregamos o Espírito Santo. Não precisamos procurar Deus fora de nós, pois Ele está dentro de nós. Santo Agostinho, quando vivia ainda uma vida desregrada, dizia buscar fora o que só pôde encontrar dentro de si, ao se converter. O cristão não deveria nunca se sentir infeliz, mesmo que sinta tristeza e dor, pois, mesmo na raiz do sofrimento, existe uma alegria radical de saber que se é comunhão e por ela fomos criados. Por isso, gostamos tanto de abraçar, e ouso dizer que a Trindade gostou mais de nós, latinos, que nos comunicamos e partilhamos mais. Precisamos tomar consciência de que temos a beleza da Trindade dentro de nós e realizar em nossa vida aquilo que de mais profundo trazemos: “no princípio está a comunhão dos três e não a solidão de um” (*). Amém. (9º. Domingo comum – Festa da Santíssima Trindade)

            (*) frase do teólogo Leonardo Boff

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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