| Artigos: HOMILIA: O CORTEJO DA MORTE ENCONTRA O CORTEJO DA VIDA | |||
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O CORTEJO DA MORTE ENCONTRA O CORTEJO DA VIDA HOMILIA DE J.B. LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES VESPASIANO (MG) – 06.06.2010 (1Rs 17, 17-24/Lc 7, 11-17) Pouco tempo depois Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Os seus discípulos e uma grande multidão foram com ele. Quando ele estava chegando perto do portão da cidade, ia saindo um enterro. O defunto era filho único de uma viúva, e muita gente da cidade ia com ela. Quando o Senhor a viu, ficou com muita pena dela e disse: As leituras de hoje têm uma dimensão simbólica que nos leva a parar para entendê-la. Na primeira leitura, temos dois personagens: Elias e a senhora de Sarepta, cujo filho estava morto. No evangelho, temos o grupo de Jesus que caminha de um lado, e o grupo da morte, que caminha de outro. A mulher de Sarepta era pagã e simboliza alguém que não tem fé. Quando lhe acontece uma desgraça, ela não acha uma saída, pois só vê dor e sofrimento. Para ela, não há nada além da morte e, por isso, interpela Elias, que acredita em Javé e representa outro mundo. Para ele, a morte não é a última palavra. Ele toma aquele jovem morto e devolve-lhe a vida. A importância não está na ressurreição física, pois nenhum de nós é capaz de devolver a vida biológica a ninguém. É um símbolo que nos diz que, se somos como Elias e acreditamos no Senhor, seremos capazes de ressuscitar qualquer pessoa. Ontem mesmo, um jovem, totalmente embriagado, me procurou pedindo ajuda para sair da bebida. Oxalá, eu pudesse ter a força de um Elias e dizer-lhe para levantar-se e caminhar para a verdadeira vida. Quantos jovens estão perdidos por aí, precisando encontrar algum Elias que os leve de volta para a vida?! O simbolismo do evangelho é mais bonito ainda. Vai Jesus, seguido por uma multidão entusiasmada, barulhenta. É a procissão da vida! Na saída da pequena cidade de Naim, encontram com um cortejo fúnebre. Novamente, um jovem está morto. Diante da morte, Jesus para e toca o esquife, o que contrariava as leis daquela época, mas Ele era livre. Os dois cortejos se detêm. Ele se comove diante daquela multidão que caminhava para a morte e volta-se para a sofrida mãe, dizendo-lhe que não chorasse. Quantas pessoas estão precisando ouvir isso?! Não devemos chorar, porque sempre existirá a vida, nem tudo está perdido e o último fundamento de todas as coisas é um Deus que nos ama. Podemos chegar ao mais profundo abismo, mas lá embaixo encontraremos sempre uma rocha sólida. Jesus, tomado do Espírito desse Deus, que é vida, volta-se para aquele jovem morto e ordena-lhe que se levante. Mortos estamos todos nós quando andamos pelos subúrbios da existência, entregue às drogas, ao sexo desvairado, à falta de sentido. Precisamos aprender com Jesus a dizer essas duas frases a tantos que delas necessitam. Todos nós precisamos acreditar que além de todas as lágrimas, existe a vida, que é o maior dom. Jesus nos disse que Ele é o caminho, a verdade e a vida, e eu acrescentaria mais: é Ele o caminho que nos conduz à verdade e à vida. Diante dessa palavra, encontraremos força para nos levantar de qualquer abismo que nos corrói a alma, a beleza. Se tivéssemos consciência de nossa força, não viveríamos afundados em tantos sinais de morte. Não podemos continuar caminhando para a morte tendo a graça do Senhor à nossa disposição. Nada poderá nos amedrontar se realmente acreditarmos. Encontrando com o cortejo da vida, a nossa própria vida se transformará. Amém. (10º. domingo comum) |
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