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Artigos: HOMILIA: ASCENSÃO: FIM E PRINCÍPIO  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/5/17
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ASCENSÃO: FIM E PRINCÍPIO

HOMILIA DE J.B. LIBANIO – PARÓQUIA N.S. DE LOURDES

VESPASIANO (MG) – 15.05.2010

(At 1, 1-11/Lc 24, 46-53)

E disse:
- O que está escrito é que o Messias tinha de sofrer e no terceiro dia ressuscitar. E que, em nome dele, a mensagem sobre o arrependimento e o perdão dos pecados seria anunciada a todas as nações, começando em Jerusalém. Vocês são testemunhas dessas coisas. E eu lhes mandarei o que o meu Pai prometeu. Mas esperem aqui em Jerusalém, até que o poder de cima venha sobre vocês.
Então Jesus os levou para fora da cidade até o povoado de Betânia. Ali levantou as mãos e os abençoou. Enquanto os estava abençoando, Jesus se afastou deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram e voltaram para Jerusalém cheios de alegria. E passavam o tempo todo no pátio do Templo, louvando a Deus.

            Poucas festas são tão bonitas como esta. Embora não seja tão importante quanto Páscoa e Pentecostes, ela tem uma beleza discreta. Participa da claridade, da beleza da Páscoa e do fogo e fulgor de Pentecostes. Eu diria que ascensão fecha um ciclo curto e abre outro que ainda não se fechou, colocando uma ponte que une os dois lados. Fecha um ciclo pequeno, que vai desde a encarnação até a ressurreição de Jesus. Ascensão fecha o ciclo da clausura da vida de Jesus. Foi uma vida relativamente pequena, de pouco mais de trinta anos, arrancada no vigor da idade. Mas uma vida tão maravilhosa, tão humana que, embora vivendo um cotidiano tão parecido com o nosso, nele as fissuras, os dilaceramentos nunca atingiram a sua harmonia. Nunca um ser humano fez desabrochar tanta humanidade quanto Ele, nenhum outro teve um olhar tão doce, tão acolhedor e tão perdoante quanto Ele. Nenhum outro seria capaz de tanta paciência com a burrice dos apóstolos, com a traição de Judas, a negação de Pedro e a fuga dos outros. Diante da brutalidade e da violência dos soldados romanos – diante deles, a nossa polícia seria de uma ternura infinita –, Ele se volta para o Pai e diz-lhe que eles não sabiam o que faziam. Será que também Judas, Pedro e os outros não sabiam a quem traiam, a quem negavam, de quem fugiam? É claro que sabiam, mas o coração de Jesus não sabia. O seu coração generoso, ao olhar para aquela prostituta desprezada por todos, simplesmente manda que ela vá em paz, porque nada tinha contra ela. Para mim, essa é uma das cenas mais lindas do evangelho (*). Naquele tempo, prostituta não era o que é hoje: bem vestidas, maquiadas, cheias de direitos. Elas viviam maltrapilhas, segregadas, podiam ser apedrejadas, eram simples objetos para o prazer dos homens. É a essa mulher que Jesus diz para ir em paz, não deprimida, atormentada, porque reconheceu nela uma dignidade dada pelo seu Pai e que ninguém podia tirar, por mais que fosse humilhada e desprezada. Só Ele pode perceber e respeitar o seu mistério, perceber a luz que existia em seu coração e que nenhum mal é capaz de apagar. Poderia citar várias outras passagens, e é esse ciclo que se fecha com a vida desse Homem que se entregou a nós e por nós até a última gota de seu sangue. Dar o sangue é dos atos mais fortes de nossa experiência. Vocês, mães, podem entender um pouco mais sobre isso, pois quando dão à luz, dão a vida, o que deve ser uma experiência fantástica que nós, homens, apenas vislumbramos. Jesus não era mãe, mas deu o seu sangue para que nele encontrássemos a vida.

            Diz o evangelho que, depois da ressurreição, Ele viveu um tempo que nós não sabemos bem de que maneira. É o tempo da glória e da festa, quando viveu o cotidiano dos apóstolos. Também é esse tempo que se fecha. Termina o tempo de Jesus e abre-se o nosso tempo! Quando Ele já não está mais presente, cabe a nós sermos Cristo para os outros. Ele nos pede que procuremos viver como Ele viveu, que sejamos um pontinho de luz e bondade na vida de alguém. Mas quem de nós é capaz de perdoar as traições, amar qualquer pessoa? Somos capazes das maiores atrocidades, mentimos, tapeamos, não damos conta. É esse o nosso testemunho. Como podemos falar de bondade e de justiça, se vivemos em meio a tanta violência e injustiça? Como podemos falar de acolhimento, se nem ao menos acolhemos quem está perto de nós? Olhando para as nossas limitações, Jesus resolve fazer uma ponte que nos ligue a Ele e a eternidade. Manda o Espírito Santo para realizar esse grande arco que se apoia no passado de sua vida e no presente de nossas vidas. Por esse arco a vida circula. Sem Jesus e sem nós, o Espírito Santo não conseguiria nada. Sem Jesus, Ele não saberia onde buscar o que iria nos passar. Sem nós, Ele não teria onde levar. Somos nós que fazemos com que o Espírito Santo possa agir. A festa da ascensão do Senhor é de uma beleza maravilhosa. Que saiamos dela lembrando que aquele que aqui viveu nos deixou, não com as nossas humildes forças, mas com o Espírito que Ele nos deu como um imenso arco que une a nossa existência à eternidade. Ligados pelo Espírito, vivamos do passado de Jesus o hoje de nossa vida. Amém. (7º. domingo comum/Festa da Ascensão)

 

            (*) Jo, 8

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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