Menu
Login
Codinome:

Senha:



Artigos: O que está em jogo na política  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/5/8
Leituras:
Tamanho:
Página para Impressão Indique a um Amigo
 
O que está em jogo na política
J. B. Libanio
O Tempo – 09 de maio de 2010


Política fala de poder. O imaginário avança e vê alguém dispondo de outros, fazendo valer sua vontade. Fascina-nos estar num lugar em que outros nos servem e acatam. A tentação da serpente no Gênese tornou-se o arquétipo da pretensão humana: sereis como deuses. E quanto mais a aparência cerca o aparato de poder, mais ele atrai. Estamos num ano eleitoral e circulará pelos palanques muita jactância.


Do lado do espectador, as cores modificam-se. Os latinos criaram expressão simples e perspicaz. Cui prodest: a quem aproveita toda a parafernália de discursos? Aí se põe a real questão. Para que serve o poder?


Ele se exerce no concreto de um sistema. Um conjunto de regras nos regem a sociedade. Convencionou-se chamá-lo de neoliberalismo. Discute-se se ele responde aos ideais realmente liberais. Sem entrar nessa quizília, aparece claro que o fator decisivo e determinante é o mercado. O ser humano desde os inícios praticou-o. Vendeu, comprou, trocou bens. A entrada do dinheiro fez flui-lo melhor. E quando o dinheiro virou capital, ele cresceu e ainda cresce.

Houve um momento em que a sociedade mudou de preposição em relação ao mercado. Passamos de uma sociedade com mercado para uma sociedade de mercado. Aí está o quid da questão. Todas as sociedades humanas têm e terão sempre mercado. Responde às exigências humanas. Mas não necessariamente se transformam em sociedade de mercado. Quando isso acontece, o capital domina o mercado. Ontem o industrial, hoje o financeiro. Repercute sobre o emprego, ora criando vagas, ora fechando-as. Hoje a tendência caminha para o desemprego massivo estrutural e precarizado. Perdem-se as conquistas sociais. Inventou-se a perversa ideologia do individualismo. Ela defende a privatização, os mais poderosos. Marginaliza os menos dotados. Discrimina as oportunidades de crescer. O capital age sem controle, comete as maiores barbaridades sociais e humanas. O Estado se submete a sua força e existe em função dele. Quando algo ameaça o capital, como aconteceu na crise de 2008, invoca-se o Estado, contra todos os princípios liberais, para salvá-lo, protegê-lo, perdoá-lo dos erros. Apareceu então à luz do sol a escandalosa e gigantesca inversão do dinheiro público para salvar os bancos, enquanto para o campo social e para paises pobres iam as migalhas a cair da mesa do epulão. Sobretudo se impõe a tirania do pensamento único: não há alternativa. O capitalismo exclama: pode ser ruim conosco, pior sem nós. Aí estamos.

Agora voltamos à pergunta inicial. A disputa de poder que se processará, sob nossos olhos, nesse ano eleitoral, vai em que direção? A verdadeira escolha do candidato não se mede pela sigla partidária nem pela face física, simpática ou não, dos disputantes, mas pelo sentido que dará ao exercício do poder. A verdadeira alternativa está posta: o poder se submeterá ao capital financeiro ou transformará a economia em fautora de vida.
 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
Desenvolvido por ABNEXO