| Artigos: Comissão Pastoral da Terra | |||
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| Comissão Pastoral da Terra J. B. Libanio Maio 2010 A CPT existe pela teimosia e coragem da profecia. Não nasceu em nenhuma noite de céu estrelado nem na serenidade silenciosa do fluir dos dias. Não. O Brasil vivia anos de chumbo sob a tutela militar. A Igreja preocupava-se com a repressão e dominação pesada sobre o trabalhador do campo. Desde os inícios, o Brasil convive com a injustiça e a exploração da terra. Nenhum governo até hoje teve coragem de enfrentar o problema agudo da reforma agrária. Enquanto isso, campeia no mundo rural a tristeza fria da exploração. A Igreja do Brasil acordou para tanta miséria e sofrimento. Não quis pactuar com latifundiários, grileiros, madeireiras, mineradoras que não temem matar para ocupar e explorar as terras. A CPT, fundada em 1975, já carrega longa caminhada de luta e de perseguição. Nasceu de uma iniciativa da CNBB, envolvida com a Pastoral da Amazônia, para prestar um serviço pastoral aos trabalhadores do campo. Nos inícios estava essa mesma Amazônia que hoje continua no olho do furacão. A CPT não cessa de lançar a público relatórios em que brota sangue das letras. A perseguição atravessa todos os segmentos da Igreja, desde o povo simples das comunidades, que lá está a sofrer as consequências diretas da perversidade do sistema, até bispos passando pelos agentes de pastoral. Muitos já deram a vida. Existe numeroso martirológio. A maioria dos nomes se esconde na memória infinita de Deus. Alguns caem na grande imprensa por alguma circunstância fortuita. Mas todos herois e heroínas da mesma causa. Recentemente os jornais noticiaram a condenação pesada do fazendeiro que mandou matar a irmã americana Dorothy. Ainda está fresca na memória a tragédia violenta de sua morte. Derramou-se sangue americano. As pressões por justiça fizeram-se mais fortes. Outras tantas pessoas já pagaram o mesmo preço. Quando se olha o mapa do país, salta à vista a gigantesca contradição de terrível irracionalidade. Apenas entendemos que seres humanos a tenham criado. De um lado, terra e terra exposta à invasão de poderosos, a compras duvidosas, à exploração ecocida e de outro sem-terra. Como ser sem-terra num gigante de terras? Manchas verdes inexploradas, de um lado e, de outro, megalópoles em que as pessoas se amontoam em barracos. Se um astronauta sobrevoasse o Brasil não acreditaria no que estava vendo. Pensaria o pior de nós, dos políticos, dos governos, dos poderes que nos regeram nesses cinco séculos e ainda estão aí a regatear a reforma agrária. Sem dúvida, não falta dinheiro. Bastou a crise bancária estourar que surgiram trilhões de dólares para socorrer os bancos. Onde estava esse dinheiro? Quantos bilhões de dólares circulam no Brasil que terminam ancorando no mundo financeiro nacional e internacional, enquanto aos habitantes do campo mínguam recursos para fazer a mais necessária revolução do momento: a revolução verde. Só ela tem condições de salvar o Brasil e a humanidade. |
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