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Artigos: Senso de humanidade  
Autor: HELENA
Publicado em:: 2010/4/16
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Senso de humanidade

J. B. Libanio

O Tempo – 24 de janeiro de 2010

                   A poeira física das ruínas do Haiti se aquieta e a imprensa internacional lentamente silencia uma das piores tragédias dos últimos tempos. no século XVIII, o terremoto de Lisboa abalou a de muitos e gerou enorme crise cultural. Voltaire questionou a teodiceia de Leibniz do melhor dos mundos criado por Deus. A consciência européia não continuou a mesma antes e depois daquele terremoto.

                   Hoje, vários séculos depois, a nossa consciência não se volta para Deus numa interpelação de ignorante, mas clama por justiça. Sabe que não está na origem de tantos mortos unicamente o abalo sísmico. No Japão acontecem terremotos piores e nenhuma casa cai, nenhum nipônico morre. Logo a pergunta não se dirige ao “deus” dos terremotos, e sim aos senhores da terra: por que construíram a cidade assim, deixando-a tão vulnerável aos humores das placas tectônicas?

                   O caso do Haiti se tornou tristemente paradigmático. Colonizado e explorado por potências europeias que foram alijadas, deixando, porém, após si a miséria, estruturas sociais e políticas precárias, dívidas a pagar. E depois acontece uma catástrofe como esta do terremoto. E sses países lavam as mãos, protegidos pela distância no tempo e no espaço. É momento de acordar a consciência do sistema capitalista pelo rastro de miséria que tem deixado nos paises explorados. Pelo menos, que, nesses momentos de clamor mundial, deixem cair da mesa algumas migalhas para saciar a fome de miseráveis abandonados.

                   No meio a esse flagelo, despontam algumas maravilhas, quer entre as vítimas, quer entre os que socorrem. A morte de D. Zilda Arns tocou o coração do país. Mulher que batalhara entre nós na pastoral da criança a tal ponto que onde ela chegava com sua prática, imediatamente caia, pelo menos, em 20%, a taxa da mortalidade infantil. Falando de tal tema no mundo dos pobres de Haiti numa Igreja, numa dupla proximidade de espaço e de causa com o Senhor, encontrou trágica morte que encontra sentido e luz na esperança da ressurreição. O mesmo aconteceu com soldados brasileiros. E agora estão alguns herois na batalha da reconstrução do país.

                   Tudo começa com a justiça. Esta exige que os socorros cheguem onde não estavam por decorrência da injustiça. E além dessa existe a solidariedade generosa.  Que, ao menos, nessa hora, a globalização da mídia e a facilidade de ajuda atuem em função dos pobres. Pequena redenção em relação aos trilhões de dólares que os bancos sugaram na sua crise. E aqui não está em jogo a fortuna de capitais, mas a vida de paupérrimos seres nos quais um senso de humanidade e de cristã lhes descobre a dignidade. Valem mais que todas as riquezas em prata e ouro. Deus não se encarnou nem entregou sua vida pelas coisas, mas por esses humanos que morreram e estão ameaçados de morrer antes de tempo.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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