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Artigos: HOMILIA: A FORÇA DA PALAVRA  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/12/26
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A FORÇA DA PALAVRA

Homilia de J.B. Libanio – Paróquia N.S. de Lourdes

Vespasiano (MG) – 24.12.2009

(Mt 13, 3-9)

Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.

Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.

Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.

Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um. Dito isto, Jesus acrescentou alteando a voz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.

Ele respondeu: A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam.

            Depois da leitura dessa parábola, acho que já está quase tudo dito. Toca-me, simplesmente, fazer um pequenino resumo para nós agora aqui, pois Jesus falou muito antes e para pessoas que tinham outra visão. Nós vivemos neste mundo atual e concreto, e é nele que a palavra de Deus ecoa, pois está sempre sendo falada, embora nem sempre verbalmente. Nós distinguimos palavra de conceito, de ideia. A palavra é prolação que falamos e ouvimos, ao passo que o conceito traz a realidade. A palavra falada é muito mais rica, porque desperta emoções, e em muitos idiomas há grandes diferenças entre a palavra escrita e a falada. Como em português não há diferenças, muitas vezes não entendemos bem as metáforas. Quando ouvimos, a palavra é carregada de emoções, pois quem lê e fala coloca a sua tonalidade. Podemos dizer uma palavra com mais força, com carinho, com interrogação, com exclamação. Tudo dependerá muito da forma como se fala.

Ao longo da vida, ouviremos muitas palavras, algumas duras, ditas por pessoas que nos machucam, outras de cuidado, de carinho. Assim a grande pergunta é esta: será que sabemos captar Deus em todas as palavras, mesmo naquelas de nos machucam, nos doem? Não é que Deus nos fira nelas, mas nelas Ele nos diz que ali experimentamos a dor que o seu Filho um dia experimentou. Seria bom que nós fizéssemos essa reflexão, ao invés de ficarmos ofendidos, magoados. Por que não pensamos que também Jesus ouviu palavras pesadas, ofensivas? Ele foi chamado de beberrão, de glutão, e nisso via a presença do Pai. Quando formos ofendidos e caluniados, precisamos sentir compaixão das pessoas, sentir a sua dor, pois só teremos compaixão se sofrermos juntos. Por outro lado, de nós para o outro, a única palavra, o único sentimento que deveríamos ter é de cuidado, de compreensão, de acolhida, de sermos próximos a ela, pois do que mais as pessoas precisam hoje é de uma palavra que chegue até elas, que verdadeiramente as toquem, que lhes fale de algo diferente. O mundo de hoje é só barulho, celulares, músicas que não dizem nada. Vivemos numa terrível enxurrada de palavras vazias, ao mesmo tempo em que fazem falta as palavras de carinho, de cuidado e de ternura. Que essas saiam de nós, e que todas que chegarem a nós possam ser transformadas em palavras de Deus. Amém. (24.12.2009/Celebração comunitária da penitência)

               

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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