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Artigos: Quando a onipotência humana falha  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/12/16
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Quando a onipotência humana falha

J. B. Libanio

O Tempo – 22 de novembro de 2009

                   Os Estados Unidos vangloriam-se de ser o reino da liberdade. Ostentam à entrada de Nova York a estátua da Liberty. Quanto mais se enriquecem, mais transformam a liberdade em segurança. Investem bilhões de dólares em sistemas de informação para defender-se dos inimigos, das ameaças. As indústrias de alimentos e farmacêutica, os médicos e outros profissionais vivem com medo de advogados à cata de algum erro para processá-los. Armam-se de bulas, de protocolos, de procedimentos, cercados de letrinhas ilegíveis onde se imaginam infinitos perigos para alertar o usuário e isentar-se de ataques judiciários. Eis o reino da segurança. E para eventuais falhas, existem as incontáveis companhias asseguradoras, para reforçar a onipotência da segurança.

                   Que aconteceu? As Torres Gêmeas, à vista do mundo inteiro, ruem sob o impacto de aviões terroristas. Com elas, desabou a onipotência americana da segurança. Fragilidade insanável.

                   A Air France, companhia francesa de alta respeitabilidade e segurança. O Airbus, fina obra da tecnologia européia de ponta. Ambos são orgulho da inteligência humana com segurança de voo garantida. Que aconteceu? O Airbus da Air France mergulha no oceano com todos os tripulantes e passageiros. A pretensão arrogante da tecnologia afundou-se nas mesmas águas.

                   E agora nos coube o arranhão do apagão elétrico. está Itaipu como obra gigantesca da nossa tecnologia. Nunca ela tinha causado tamanho fiasco. Com a noite da luz elétrica, escureceu-nos a pretensão enfatuada da inerrância e do poder sem limite.

                   Não suportamos nenhum fracasso. Os políticos dos partidos de oposição, esquecidos naturalmente do telhado de vidro, lançam pedras por todos os lados no atual Governo, como se descobrir um bode expiatório, resolvesse o problema.

                   A vida humana não se constroi unicamente sobre a segurança. Necessária, sem dúvida. Mas não o maior valor. As falhas humanas revelam, antes de tudo, a verdade da nossa condição existencial. , nas primeiras páginas do Gênese, lemos a loucura do sonho de Adão e Eva, enganados pela serpente, de conhecer a ciência do bem e do mal. Lição fantástica e simbólica de todo o desenrolar da história. Adão e Eva são todos os povos. A serpente simboliza a ambição do domínio completo sobre todo o saber. E o resultado? Duplo fracasso: reconhecem-se nus e expulsos do paraíso.

                    A ruína das Torres Gêmeas, o mergulho mortal do Airbus, o apagão revelam-nos a nudez de nossos limites e que não vivemos num paraíso terrestre e nunca o construiremos. Em vez da obsessão doentia pela segurança e a busca sôfrega de algum culpado em que coubesse toda a responsabilidade do fracasso, assumamos como humanos a fragilidade e o esforço de construir sociedade fraterna de convivência.  

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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