Menu
Login
Codinome:

Senha:




Artigos: Entre o exótico e o compromisso  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/10/26
Leituras:
Tamanho:
Página para Impressão Indique a um Amigo
 

Entre o exótico e o compromisso

J. B. Libanio

 

                   A Campanha da Fraternidade está às portas. Neste ano o tema é mais desafiante. Corre o risco de não decolar, ou pior ainda, de perder-se num conjunto de atividades interessantes, mas inócuas.

                   O índio povoa-nos o imaginário social desde a infância. A maioria dos livros de história narra-nos a descoberta e colonização sob uma ótica do estranho, se não do exótico. Os desenhos, as gravuras, as fotografias dos livros situam os índios bem longe do nosso cotidiano. Lá estão eles perdidos em tempos antigos ou embrenhados nas selvas - hoje chamadas reservas indígenas -. Já o termo “reserva” soa estranho para morada de pessoas.

                   O dito popular “longe dos olhos, longe do coração” vem a calhar com esse tema. Os anteriores - droga, exclusão, desemprego, trabalho e outros - moviam-se diante dos nossos olhos de maneira intrigante, existencial. Se não eram realidade na nossa casa, rondavam por perto.

                   Os índios parecem pertencer ao passado longínquo do país ou a culturas em extinção. Com esses estereótipos dificilmente entraremos no espírito da Campanha.

                   Ela pede-nos dois olhares. Um autocrítico em direção ao passado e presente, revendo as nossas relações sócio-históricas com o mundo indígena. Outro utópico, voltado para o futuro, captando a lição e questionamento que a cultura e tradições indígenas levantam à nossa cultura moderna.

                   A Igreja católica, na pessoa do Papa, vem repetidamente pedindo perdão pelos erros passados. Nessa triste ladainha, há uma invocação dolorosa que recorda o genocídio perpetrado pelos conquistadores de ontem e de hoje contra os índios. Está preso na garganta ética do país um grito de horror pela perpetuação até hoje de ações de madeireiras, mineradoras, fazendeiros e outros invasores de terras indígenas, sob o olhar displicente e complacente do Estado, arrancando-lhes a fonte da vida. Esta campanha visa a uma conscientização dessa situação com ações de pressão sobre o Estado e grupos coniventes da sociedade para que cessem definitivamente as agressões aos índios e lhes sejam garantidos os direitos humanos fundamentais à saúde, à terra, às condições dignas de vida.

                   Os índios são também mestres. Nós discípulos. Parece demagogia dizê-lo. “De Nazaré pode vir alguma coisa boa?” Foi a pergunta de Natanael. E de lá vinha Jesus. Nossa Nazaré são os índios.

                    A racionalidade tecnocientífica da cultura moderna vem produzindo tais malefícios materiais, psíquicos e espirituais que nos sentimos desarvorados à busca de experiências humanas alternativas. Uns têm-se voltado para as sábias tradições orientais. Outros, porém, perceberam que em casa temos nos índios bons professores de humanidade, de partilha, de amor à natureza e de convívio harmonioso com ela. Esta campanha convida-nos a olhar para a cultura indígena com a simplicidade de quem aprende. A Campanha sortirá efeito se, no final dela, os índios tiverem assegurados seus direitos fundamentais e nós nos tornarmos mais humanos, fraternos, solidários pelo aprendizado junto a eles.

                  

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
Desenvolvido por ABNEXO