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Artigos: A crise econômica mundial  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2009/3/23
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A crise econômica mundial

J. B. Libanio

                   A globalização veio para bem e para mal. Fez que circulassem pelo mundo inteiro riquezas culturais maravilhosas. Milhões de pessoas sem condições de conhecer museus ou obras de arte nem de ter acesso a gigantesco mundo de informações veiculadas por enciclopédias, obras antigas e raras, hoje, no próprio quarto, com leve toque de Internet se enriquecem. Obra fantástica do engenho humano. Teríamos até vontade de que Jesus tivesse vivido hoje para acompanhá-lo por algum youtube em seu caminhar pela Palestina. Face luminosa da globalização telemática.

                   A sua face escura fica por conta do mundo financeiro que a explora ao máximo. Homens inescrupulosos e criminosos montaram gigantesco cassino de apostas, no qual valores astronômicos circularam sem lastro. Assistimos, nos últimos meses, à explosão que pulverizou trilhões de dólares e deixou atrás de si o rastro de desemprego, falências, ruína de gigantescas empresas e de indivíduos poderosos.

                   Ainda não sabemos o alcance da extensão do rombo causado pela crise. A globalização interligou todas as economias. Nenhuma consegue escapar do impacto da devastação tsunâmica iniciada nos países centrais, especialmente na poderosa economia americana. está ela às voltas com soluções duras. E de rebote somos atingidos como países dependentes e frágeis. Uma conjuntura favorável do Brasil tem minimizado os efeitos sobre nossa economia, mas, de modo nenhum, nos isenta dos prejuízos mundiais.

                   A experiência humana tem-nos ensinado que momentos de crise permitem duas saídas opostas, a depender da capacidade do povo e de seus dirigentes. Ou o país se enterra e mergulha na noite escura de falências, de desemprego, de fome e miséria das massas populares. A ameaça paira sobre nós como espada de Dâmocles. Ou ele cataliza todas as energias espirituais, une-se em ações solidárias e promove reformas profundas, dando salto qualitativo. Nesse momento não pode viger o instinto do “salve-se quem puder” individualista, egoísta, mas, pelo contrário, o sentimento de que a união faz a força. Vem-nos à mente a cena de alguns anos atrás do acidente da equipe chilena que caiu nos Andes. Eis de repente aqueles jovens no meio da montanha gelada sem nenhum ponto de referência e de vida. Por meio de disciplina rígida, solidariedade e coragem, vários deles conseguiram sobreviver à catástrofe.

                   O Brasil se lançado no meio de terrível tormenta. Se a classe rica e burguesa continuar com os vícios de sempre a pensar em curtos interesses, milhões de brasileiros mergulharão na fome e miséria. Entretanto se ela se unir aos menos favorecidos e encetar junto com o poder público as reformas de base necessárias, como a agrária e outras, aumentando o mundo dos produtores e pondo comida na mesa do povo, existem chances de sairmos airosos e revigorados da crise.

 



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