| Artigos: HOMILIA: A LUZ DO SENHOR SEMPRE NOS TRARÁ DE VOLTA | |||
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A LUZ DO SENHOR SEMPRE NOS TRARÁ DE VOLTA Homilia de JB Libanio Paróquia N. Sra. De Lourdes Vespasiano – Minas Gerais (07.03.09/2º. domingo da quaresma) (Leituras: Gn 22, 1-2.9a.10-13.15-18/Mc 9, 2-10) Mc 9,2-10 As leituras de hoje são de uma beleza e de uma profundidade que vão muito além do que ouvimos. O nosso grande problema para entender as escrituras é que o gênero literário usado é bastante vulgarizado por nós, isto é, elas descrevem, e nós pensamos que é uma simples narrativa do que está acontecendo. Mas para a escritura, descrição é um gênero literário muito mais profundo. Quando se quer ensinar alguma coisa, usa-se a narração, como os antigos faziam, como eu faço na missa das crianças, usando imagens que podemos captar e intuir. A primeira leitura se faz inteligível no contexto das grandes religiões tradicionais, nas quais o primogênito, portanto, o primeiro filho do sexo masculino era sacrificado aos deuses, como símbolo de toda uma força que nascia. Ele simbolizava o futuro para a família. Portanto, as tribos, nas religiões primitivas, como dos astecas, pediam o sacrifício. São tradições muito antigas, mas não é isso que Deus quer de nós. Ele não quer sacrifício de nenhum primogênito, e toda essa história em torno de Abraão quer nos dizer hoje que Deus espera apenas a nossa alegria. Por isso, o anjo segura a mão de Abraão, para que ele não atinja o seu filho Isaac. É claro que é uma imagem, pois Abraão nunca pensou em sacrificar o seu filho, assim como quase nenhum outro pai teria coragem de sacrificar um filho no sentido físico, e quando isso acontece, nos causa tamanha comoção. Mas é bom que pensemos um pouco, de vez em quando, pois a psicologia mostra que muitos pais, ainda que sem se darem conta, sacrificam simbolicamente seus filhos, e de maneira violenta. Daí essa grande quantidade de pessoas sofridas, machucadas, muitas partindo para o crime, para a droga, para uma vida devassa, não por serem más, mas porque, desde a infância, sofrem com a falta do cuidado, da ternura e do amor dos seus pais. Como seria bom que os pais, sobretudo de crianças pequenas, lessem esse texto e o entendessem como um grande chamado de Deus, dizendo-lhes que essas pequenas crianças que trazem no colo são o bem mais precioso que Ele lhes deu. Vocês estarão sacrificando-as quando lhes negarem carinho e atenção. Os pais que chegam em casa, depois de um longo dia de ausência, e simplesmente param diante da televisão, ignorando o filho como se fosse uma simples coisinha, não entenderam a lição de Abraão. Não é a morte física que dói mais, mas a morte simbólica que fere e destrói. Quantas vezes já ouvi e vi as lágrimas de crianças e jovens se queixando que seus pais não os amam?! Leiam e procurem entender essa leitura, mas nunca como o sacrifício de uma facada. É grosso demais pensar assim! Há facadas simbólicas que ferem e fazem muito maior estrago, quando um filho se sente à margem, quando um pai ou uma mãe não são capazes de abraçar, de sentarem no chão, de carregarem no colo. Esses nunca entenderam o que o anjo impediu Abraão de fazer. Que nenhum pai e nenhuma mãe sejam capazes de levantar uma espada simbólica contra nenhum filho, porque essa é das mais dores mais terríveis, mais até que as dores e mortes físicas, pois não nos trazem nenhuma esperança. Também a lição que Jesus nos dá hoje é belíssima. De certa maneira, Marcos divide o seu evangelho em duas grandes partes. Na primeira, aparece Jesus falando para as multidões, e na segunda, Ele começa a falar para os discípulos, para nós que estamos aqui. A transfiguração é voltada para uma pequena comunidade, pois a multidão jamais a entenderia. Jesus sobe a montanha, lugar da intimidade com Deus, e leva consigo três dos apóstolos que o veriam humilhado, cuspido, torturado e, para isso, Ele os preparou, depositando em seus corações um pouquinho de luz e esperança, para que pudessem vencer as horas duras e difíceis que viriam. O evangelho não trata de nenhuma visão fantasmagórica, de nenhum truque global. Como somos ignorantes para entender as coisas de Deus! O que Jesus quis mostrar para os discípulos e para todos nós é que havia ali uma luz de vida que ultrapassava toda e qualquer escuridão e que poderá nos sustentar diante de qualquer tempestade. Jesus sabia que nós, seus discípulos, iríamos caminhar com Ele ao longo da vida e que, muitas vezes, os nossos caminhos seriam bastante escuros e espinhosos. Nenhum de nós escapa dessa condição. A vida humana é feita de alegria e tristeza, de dor e de prazer. Não acreditem na falsidade das propagandas! Se não sofrêssemos, não seríamos humanos. Vivemos a constante dialética do amor e desamor, da alegria e da tristeza, da dor e do prazer, do caminhar na luz e nas trevas. Há dias em que estamos felizes, enquanto outros nos pegam tristes, com a escuridão se mostrando quase palpável. Para esses momentos, o Senhor nos diz que Ele é a certeza da luz. Não precisamos entender, mas crer. Quando Pedro o vir caminhando para a cruz, sendo açoitado, morrendo crucificado, se lembrará que um dia o vira transfigurado
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