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Entrevistas : ENTREVISTA: JB Libanio - assunto AÇÃO PASTORAL para o Jornal "Pastoral" Mariana MG  
Autor: HELENA
Publicado em:: 2009/1/31
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Entrevista de JB Libanio para o Jornal "PASTORAL"

MARIANA ,provavelmente entre 1999-2000

 

1. Que avanços e desafios o sr. percebe na prática pastoral da Igreja no Brasil?

            A Igreja do Brasil nas últimas décadas revelou uma pastoral muito viva. Talvez um dos pontos mais expressivos tenha sido o crescimento maravilhoso da leitura, meditação, conhecimento das Sagradas Escrituras por parte dos fiéis. Os círculos bíblicos com uma quantidade enorme de subsídios, o mês da Bíblia, o incentivo ao conhecimento bíblico, cursos para os fiéis, homilias mais bíblicas, etc. contribuíram para a vitalidade da pastoral bíblica.

            Outra realidade significativa da Igreja do Brasil são as comunidades eclesiais de base. Estão em íntima conexão com os círculos bíblicos. Continuam ainda crescendo. Os Encontros Intereclesiais o mostram.

            Para ser breve, acrescentaria um terceiro ponto: a pastoral social - sobretudo na defesa dos Direitos humanos. As Campanhas da Fraternidade têm tratado de temas fundamentais e têm conscientizado toda a Igreja sobre eles. Há, naturalmente, muitos outros pontos tais como o crescimento da participação do leigo em diversos ministérios e serviços pastorais, a melhor formação teológica dos leigos, a vida religiosa inserida em meios populares, as igrejas-irmãs, o aumento do espírito missionário, etc.

            Desafios: uma maior presença da Igreja junto às camadas que mais influenciam a sociedade, isto ‚ os formadores de opinião, os intelectuais, a intelligentsia em geral; maior presença entre os mais pobres e excluídos da sociedade; uma liturgia mais diversificada e inculturada nas diferentes realidades do país; uma maior riqueza de ministérios leigos; uma presença mais significativa e competente na mídia; maior ênfase no ecumenismo e di logo inter-religioso; maior empenho na criação de pequenas comunidades, quer em nível popular, que em outros setores da sociedade procurando maior articulação entre elas.

 

2. Quais são os elementos que devem predominar na ação pastoral hoje?

            A resposta à pergunta anterior já  indicou alguns elementos. Resumindo em algumas palavras-chave: espiritualidade do batizado, participação de todos, superação de todo clericalismo e autoritarismo, criação de pequenas comunidades de vida de fé, maior presença significativa na sociedade entre os mais pobres e os formadores de opinião, acolhida fraterna, cuidado dos excluídos em todos os níveis, etc.

 

3. Qual a contribuição da pastoral para que o processo das eleições municipais seja mais cristão?

Antes das eleições, um trabalho pedagógico de conscientização e educação política. Depois das eleições, incentivar a criação de grupos da sociedade civil que controlem, pressionem, sigam as atividades dos eleitos - executivo e legislativo - a fim de verificar a coerência entre suas propostas e suas práticas.

 

4. Recentemente a Revista VEJA em matéria sobre a possível saída de D.Paulo E. Arns fala que muitas pastorais em São Paulo estão se tornando "ONG". Existe algum perigo de que estas organizações percam a característica pastoral? Por quê?

Perigo sempre existe. Tudo vai depender da capacidade de diálogo quer dos membros das ONGs quer dos representantes da diocese. Vai depender também de que tipo e compreensão de pastoral. H  pastorais em que a relação com o clero ‚ mais estreita e há  outras em que a autonomia do leigo ‚ muito maior. Como linha geral, pode-se dizer que as pastorais sociais podem gozar de muito mais liberdade nas suas ações, já  que dependem de especializações que muitos leigos possuem de maneira mais competente. As pastorais mais vinculadas ao ensino da religião, à prática litúrgica, que envolvem mais diretamente a vida interna e de fé‚ dos fiéis, necessitam de uma presença maior do clero.

 

5. Que sugestão o sr. Da à nossa Arquidiocese para realizar uma ação pastoral eficaz, tendo em vista o novo milênio?

Difícil para alguém de fora que apenas conhece a arquidiocese ousar dar sugestão. Prescindindo, portanto, do caráter local da Arquidiocese, como linha geral de Igreja, percebe-se que a pastoral caminha na direção de sempre maior envolvimento do fiel leigo em todos os níveis. Por isso, quanto mais o leigo assumir um papel relevante na vida da Igreja melhor. Além disso, o cultivo da espiritualidade, o manuseio da bíblia, a formação de pequenos grupos de vida cristã, uma presença corajosa do cristão em todos os setores da sociedade são aspectos relevantes para toda pastoral e, que, portanto, valem para a Arquidiocese de Mariana.

 

6. O sr. acredita que a REDE VIDA seja realmente uma resposta aos desafios da evangelização/pastoral?

 É uma resposta que tem importância. Semeia a Palavra de Deus pelos quatro cantos. Mas, evidentemente ‚ absolutamente insuficiente, se não ‚ acompanhada de um esforço de criação de pequenas comunidades de vida de fé, onde se pode cultivar a experiência cristã em maior profundidade. No fundo, trata-se de articular um trabalho pastoral em grande escala – macroevangelização - com um trabalho bem próximo às pessoas, sobretudo em comunidades pequenas - microevangelização.

 

J. B. Libanio

 

 

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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