| Artigos: HOMILIA: JESUS NOS COLOCA DUAS OPÇÕES | |||
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JESUS NOS COLOCA DUAS OPÇÕES HOMILIA DE J.B. LIBANIO – 06.05.2012 PARÓQUIA N.S. DE LOURDES – VESPASIANO (MG) Jo 15, 1-8 Jesus disse: Creio que não precisamos de muita imaginação para sabermos que aquele Meninozinho lá de Nazaré, uma cidadezinha pobre, de uns poucos duzentos, trezentos habitantes, era um agricultor, além de artesão, conforme aprendemos. Sua realidade era bem diferente da nossa hoje, quando vivemos entre prédios, escritórios, carros, barulhos. Certamente, Jesus terá ajudado ao seu pai no cultivo de parreiras e terá visto um ramo verdejante brotar de um galho cortado. Tudo isso o terá levado a pensar que aquele ramo pôde escolher entre ficar ligado ao galho e renascer ou ser jogado fora e secar. Essa experiência da infância reapareceu-lhe já na idade adulta, e Ele, olhando para aquele povo que o seguia, concluiu que eles eram como aquele ramo. Transferiu a sua experiência para aquele povo que, como nós, vivia as suas crises cotidianas. Um jovem, ao entrar numa universidade, é questionado por tantas ideias novas, autores perigosos, que podem provocar uma grande crise, quando tudo se torna escuro e confuso. É o grande corte, sempre seguido de uma escolha fundamental: se quiserem permanecer ligados ao tronco maravilhoso da Trindade, a crise, por maior que seja, lhes possibilitará frutificar ainda mais. Mas se preferirem separar-se da fé, do amor, da comunidade, cairão no solo como um galho destinado apenas a infertilidade e ao fogo das fornalhas. Essa é a opção diante da qual Jesus nos coloca hoje. Nenhum de nós escapa das crises, menores ou maiores. Nenhum de vocês pode imaginar os imensos questionamentos que passam pela cabeça de um teólogo quando ele estuda. A mesma coisa acontece com nós, padres. É como se tivéssemos sendo cortados continuamente por questionamentos sobre qual o melhor caminho a seguir: abandonar tudo, cuidar da própria vida, viver o presente ou aceitar a dor e continuar ligado ao tronco, recebendo a seiva maravilhosa, que sempre nos possibilitará recomeçar? Não podemos nunca esquecer que o amor é a única realidade que liga as pessoas. Só amando a Deus e levando a sério o que Ele nos diz continuaremos ligados ao tronco, alimentados pela seiva de sua palavra e pelo poder do Espírito Santo. Hoje, cada um de nós é colocado diante dessa escolha. Se estão ainda nesta igreja é porque, de certa maneira, ainda estão ligados ao tronco. Mas se se afastarem, quanto maior a distância, maior a chance de serem cortados e de se esquecerem de Deus, do amor, da beleza, da comunidade e se desviarem para os descaminhos da corrupção, dos desmandos, da falta de amor. Cabe a nós escolher! Olhando para o que acontece neste nosso país, a cada dia que abro um jornal, só vejo manchetes falando de roubo, ladroagem, corrupção. Só ouvimos falar em CPI’s para procurar os culpados, mas nunca os acham. Enquanto isso, o dinheiro some, a saúde agoniza, o povo sofre. São realidades que nos envergonham. No Japão, depois do tsunami de março de 2011, muitas casas foram arrasadas, deixando todos os bens expostos, mas ninguém foi capaz de levá-los. Os donos acharam seus objetos danificados pelas águas, mas tudo estava no mesmo lugar. Se a mesma coisa tivesse acontecido aqui, não sobraria nada. Por que nós somos assim? Há mais de três mil anos existe um mandamento que ensina a não furtar, a não roubar, e ainda não assimilamos, não aprendemos. O velho Moisés tentou deixar isso para o povo de Israel; os cristãos, há dois mil anos, pregam sobre isso e nós continuamos moucos, surdos diante desse mandamento. Estamos separados da videira como galhos secos que não servem para nada. Quem é corrupto, quem mata, rouba, explora, quem vive apenas o presente, como se existisse só o aqui e agora, quem não conhece ética nem qualquer outro valor é como um ramo seco que, depois de dois mil anos, ainda não descobriu o valor do bem, da beleza, da verdade, do amor, do carinho, da alegria. Que ensinamento estamos deixando para estas crianças, muitas enxuxadas, que só ouvem falar em desmandos, já perdidas desde a inocência? Será que algum dia acordaremos para isso? Amém. (5º. Domingo da Páscoa) |
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