| Artigos: HOMILIA: A LUZ QUE ILUMINE A ESCURIDÃO DE NOSSAS NOITES | |||
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A LUZ QUE ILUMINA A ESCURIDÃO DE NOSSAS NOITES HOMILIA DE J.B.LIBANIO – 04.03.2012 Gn 22,2-18/Mc 9,2-10 Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando consigo somente Pedro, Tiago e João. Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar. A sua roupa ficou muito branca e brilhante, mais do que qualquer lavadeira seria capaz de deixar. E os três discípulos viram Elias e Moisés conversando com Jesus. Então Pedro disse a Jesus: A primeira leitura e o evangelho trazem um simbolismo muito profundo. A escritura não trabalha com a nossa linguagem descritiva, mas narrativa. A primeira se prende à realidade do que se vê, enquanto a narração busca contar uma história, não se restringindo ao que é visível. É disso que a escritura gosta. Portanto, não se preocupem com os fatos descritos nas leituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A leitura do Gênesis é belíssima. Voltando um pouco na história, podemos saber que entre os povos antigos, sobretudo nas Américas, era costume sacrificar aos deuses o filho primogênito, pois acreditavam que, se entregassem-lhes o primeiro filho, eles retribuiriam com uma grande prole. Esses povos não conheciam o coração de Deus. Abraão, obedecendo à tradição, se dispõe a sacrificar o seu filho, mas aparece o anjo trazendo um ensinamento novo: Deus nunca exigiria tamanho sacrifício, e, mesmo assim, o cumularia com uma inumerável descendência, contradizendo toda a tradição religiosa daquele tempo. Assim, a revelação vai nos desvelando o coração de Deus, que só quer a vida e a alegria das crianças e de todos nós. No evangelho, Jesus escolhe Pedro, Tiago e João para subir com Ele ao alto da montanha, os mesmos que o verão flagelado, deitado no chão e suando sangue. Ele não se contenta com a baixura de uma planíce, mas sobe a uma alta montanha, onde sempre é mais fácil encontrar Deus. Por isso, procuramos subir à Serra da Piedade ou à Serra do Cipó para buscarmos o silêncio e respirarmos um pouco a presença transcendente de Deus. Jesus sobe, e isso é simbólico, pois Deus também está num deserto ou numa grota, mas o símbolo existe para nos dizer da beleza, para dar asas à nossa imaginação, para despertar a nossa inteligência. No alto da montanha, de repente, aparece a luz. Nós não temos noção do que seja luz. Já os gregos nos ensinavam que só saberemos o que é luz, se soubermos o que é a verdadeira escuridão, o que, a cada dia, se torna mais impossível. Somente na mais completa escuridão, podemos valorizar a luz, que nos dará um grande susto, como aconteceu com Pedro. Aí aparecem Moisés e Elias. Moisés representando toda a lei do Antigo Testamento, não no sentido jurídico que conhecemos hoje, mas como a maior expressão do amor de Deus, que só quer a santidade de seu povo. Ao seu lado, aparece Elias, o homem da profecia que andou quarenta dias depois de ter comido um pequeno pedaço de pão; aquele que soube reconhecer a Deus na brisa suave que lhe afagou o rosto. A nuvem que projeta a sombra é o símbolo de Javé, a voz de Deus Pai novamente dizendo que ali estava o seu Filho amado. Quando chegam ao auge, os discípulos abrem os olhos e, diante deles, está o Jesus cotidiano. Assim é a nossa vida. Sempre precisaremos de experiências de transfiguração nas horas em que entrarmos no túnel escuro em que não poderemos ver nenhuma luz à nossa frente. Como os apóstolos diante do Jesus do Calvário ou do Getsemani precisaram se recordar do Jesus do Tabor, também nós precisaremos das lembranças luminosas para superarmos as noites de nossa vida. Não há dia ou noite nesta cidade de Vespasiano que não temos notícia de um jovem assassinado, destruindo os corações de uma família que fica. Essa escuridão precisa da luz do Tabor para iluminar nossas noites de sofrimento. Amém. (04.03.2012/2º. Domingo da Quaresma) |
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