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Artigos: HOMILIA: PARTILHA, SILÊNCIO E CONTEMPLAÇÃO  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2012/2/21
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PARTILHA, SILÊNCIO E CONTEMPLAÇÃO

(Mt 6, 1-6.16-18)

 

            Quem frequenta a comunidade já terá reparado que esse evangelho se repete todos os anos nos três roteiros da quaresma, sempre se referindo à esmola, à oração e ao jejum. Era o costume dos judeus, portanto, é um evangelho que se refere à cultura judaica. Cabe-nos agora pensar nessas três realidades no mundo de hoje. Talvez as palavras tenham que mudar um pouco de sentido.

            Dar esmola, a principio, nos mostra uma ideia de superioridade, e podemos buscar uma tradição diferente. Ao invés de dar esmola, o que todos nós poderíamos fazer é partilhar, a começar pelo tempo. O americano diz que “time is money”, portanto, partilhar o nosso tempo já é uma grande maneira moderna de fazer esmola, e talvez muito mais importante: dar o nosso tempo a quem está sofrendo, dar atenção às nossas crianças. Precisamos partilhar o que temos, a começar pelo nosso tempo, chegando até ao que somos. Não é só nosso dinheiro não, mas nossa inteligência, nossa bondade, nosso carinho, nossa capacidade de ajudar às pessoas, o nosso convívio, consolar quem está triste. Quantas pessoas não querem o nosso dinheiro, mas a nossa presença, o nosso abraço, a nossa atenção?! Essa é a grande esmola da acolhida, da bondade, de quem sabe abraçar uma pessoa, sobretudo, para quem está desviado, transviado, perdido, largado, para aquele a quem ninguém dirige um olhar. É muito fácil abrir a carteira, tirar uma moeda e nem olhar para o rosto da pessoa, mas a verdadeira esmola é dar de si, abrir o coração, não o bolso.

            Qual será a oração que o mundo de hoje precisa? A APD – Assembléia do Povo de Deus – optou pela leitura orante da Bíblia. Ainda ontem, eu estive na paróquia de Santa Efigênia, em Belo Horizonte, onde estavam reunidas trezentas pessoas se exercitando na maior tranquilidade e silêncio, na leitura orante da Bíblia. Simplesmente, ler um texto bíblico, parar um pouco e se fazer uma pergunta: o que esse texto diz para a minha vida? Como poderei rezar esse texto para Deus? Depois, olhando para as pessoas, como poderei contá-lo, vivê-lo? Ler, contemplar, orar e, só depois, fazer uma grande virada na história e transformar a palavra em vida. Acho que é a melhor maneira que poderíamos orar nesta quaresma, e num pouco mais de ousadia, buscar um pouco mais de silêncio. Nós vivemos na sociedade do barulho. Isso não é bom nem para a psicologia, nem para o espírito, nem para o corpo. O corpo físico, em meio a tanto barulho, sofre. Li um artigo muito interessante, de um psicólogo canadense, que dizia que as mulheres grávidas, quando frequentam ambientes barulhentos, estão gerando crianças nervosas. Depois não poderão estranhar de terem filhos agitados, dos quais elas serão as maiores vítimas. Todos nós precisamos de silêncio, de tranquilidade, de paz, de voltarmo-nos para nós mesmos. Busquemos alguns minutos de silêncio em cada dia desta quaresma, e ficaremos mais sadios, economizaremos muitos remédios para dormir, para ansiedade, para depressão. Uma escola inglesa, laica, começa todos os dias os seus trabalhos, com meia hora de silêncio. A violência, as quebradeiras, as pichações nessa escola baixaram enormemente. Cada um, na sua religião, com o seu Deus, sem nenhuma doutrinação religiosa, simplesmente procurando encontrar a si mesmo.

            A terceira realidade recomendada é o jejum. Vou continuar na mesma linha, sugerindo que jejuemos de barulho. No fundo, jejum é privar-se de alguma coisa que, na verdade, estamos satisfeitos e cheios dela. Estamos cheios de barulhos e de imagens. Na oração, buscaremos momentos de silêncio e, através do jejum, procuraremos ausência de imagens. Se diminuíssemos pela metade as imagens que povoam as nossas fantasias, certamente ficaríamos muito mais sadios. Poderíamos ler mais tranquilos, contemplar calmamente uma obra de arte, sem nenhuma sofreguidão, parar alguns momentos diante de cenas bonitas, deixando que as belezas da natureza, dos relacionamentos, penetrem dentro de nós. Garanto que esse jejum de imagens agitadas e a contemplação silenciosa nos farão muito bem e nos ajudarão a educar as nossas crianças, que já nascem no barulho. Certamente, poderemos viver com mais serenidade. Amém. (25.02.09 – 4ª. feira de cinzas)

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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