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Artigos: Os bilhões da ilusão  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2012/2/8
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Os bilhões da ilusão

J. B. Libanio

O Tempo – 20 de novembro de 2011

                   O empresário acordou sobressaltado. Viu logo, ao abrir à página WEB, a notícia, em letras garrafais, de seu nome na revista de economia e finanças norte-americana Forbes. Com o dom pontifício da infalibilidade no mundo dos negócios ela o apontava entre os mais ricos do mundo. A sua fortuna andava pelos bem grossos bilhões de dólares. Que felicidade!

                   O ter já estava garantido. Como transferi-lo para o ser? A alegria e a vaidade interiores não lhe bastaram. Assim pareceria com seu amigo que sonhou, um dia, comprar um Mercedes de alto luxo. Alcançou a meta. Mas, ao morar no Rio, temia sair com a preciosidade pelas ruas. Guardou-o bem protegido na garagem. Ninguém o via transitar com tamanha riqueza. Quando recebia, porém, visitas, levava-as para contemplar, no lugar subterrâneo, o pequeno deus. Sorria-lhe a alma, mas por breves minutos. E, logo, tudo caía no silêncio do lugar pouco convidativo do entrar e sair de carros.

                   Ele almejava mais. Transferiu logo para o ser a postura de homem de riqueza sem limite. Cuidou imediatamente do corpo. Tirou-lhe as marcas do tempo com os recursos da plástica, reforçada pela cosmética. Trajou os ternos mais caros do mundo. Calçou os pés com sapatos de luxo. Assim embelezado atravessava sereno e orgulhoso as salas dos aeroportos. Não se submetia naturalmente às filas dos voos comerciais. A vulgarização dos passageiros roubou-lhes todo o charme.

                   Ia direto para sala VIP até que o chamassem para o luxuoso avião particular. Tisnou-lhe a sensação de senhor feliz ver passar família bem simples em direção a um desses voos de promoção. Estampava-se no rosto de todos enorme alegria. O filho de 7 anos saltitava de felicidade. Logo o avião os engoliu a todos e os apertou nas poltronas cada vez mais incômodas. Ele, por sua vez, dirigia-se ao luxuoso avião particular sem nenhum toque de gozo. Chocou-lhe a diferença. Tão pouco faz pessoas felizes, o muito não o comove.

                   Machucou-lhe mais uma vez a solidão da fortuna. Aferrou-se à sede do aparecer. Ao atravessar todo o saguão da sala de espera, não mereceu olhares de admiração por tanto luxo inscrito no corpo. E se alguém de nível econômico executivo elevado, por acaso, o reconheceu, fingiu, doído pela inveja, não demonstrar.

                   O empresário da lista Forbes freqüentou os melhores hotéis e restaurantes do mundo, saboreou pratos finos, adquiriu mansões, terras e indústrias. Gastava tempo a pensar em que mais gastaria fortuna inimaginável. Cada compra trazia prazer, misturado com dissabores. Medo de roubo, de assaltos, de falsos amigos, de aproveitadores. Preocupações, noites mal dormidas em lençóis de algodão egípcio. Mesmo depois de gastos enormes, media a fortuna. Continuava alta e até maior. Então que fazer com tanto dinheiro.  Em que gastar?

                   Roído pela dúvida, viu sobre sua mesa a Bíblia. Abriu-a a esmo. Deparou-se com o discurso de Coélet: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade (Ecl 1,2). E no jogo de págnas, vai mais longe. Esbarra na parábola de Jesus sobre o rico que acumulou bens para muitos anos e se dissera: descansa, come e bebe, desfruta. “Mas Deus lhe disse: Insensato! Nesta noite te pedirão a vida. Aquilo que preparaste, para quem será? (Lc 1219s).

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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