| Artigos: Economia solidária | |||
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O olhar do teólogo Economia Solidária J. B. Libanio Jornal de Opinião – dezembro de 2011 O gigante Golias da produção, da comercialização, do agronegócio, dos sedutores shoppings, de vez em quando, encontra-se com o Davi da economia solidária. Lá na Bíblia, Davi derrubou Golias com a pedra lançada por rude funda. Aqui no mundo moderno não se consegue facilmente a mesma façanha. No entanto, há pessoas que acreditam nas pequenas vitórias, nas gotículas de humanidade no meio de uma cultura regida pelo lucro, pelo capital, pelo poderoso e forte empreendedor. Aposta-se no amanhã, na força da rede, da irradiação atrativa de iniciativas que se expandem a partir da articulação de trabalhadores/as urbanos/as e rurais em vista de outro tipo de convívio social. Lá no fundo desse idealismo, vestido de utopia, está o sonho de que “outro mundo é possível”. Nele a agroecologia, o feminismo, a economia solidária ocuparão espaço cada vez maior. Anunciam-se qual oásis no deserto ameaçador do regime capitalista neoliberal. Este soluça, toma isordil a cada crise cardíaca que o acomete enquanto a economia solidária vaticina futuro de esperança. No fundo dessa nova concepção de economia, existe leitura teológica da natureza que responde ao projeto primigênio de Deus. Lá no Paraíso terrestre, símbolo e revelação, está a harmonia do ser humano com o ambiente que o cerca. A cada coisa que Deus criava, o autor sagrado, a modo de coro, dizia: “E Deus viu que era bom”. E no final, fechando o ciclo da criação, já não se contentou com essa simples constatação e adverbiou-a: “E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1, 31). Vieram depois o pecado, a ganância, a exploração da natureza. E para expressar essa virada, o autor bíblico deixou dois traços. Adão e Eva, símbolo da humanidade, descobrem que estavam nus e que doravante a dor acompanhará o parto e com sofrimento o homem arrancará o alimento do solo amaldiçoado. O capitalismo reinante realiza tal sina. Ele não conheceu a aliança de Noé nem a de Jesus. Ambos sinalizaram reconstruir a harmonia com a natureza. A economia solidária coloca-se na linha da harmonia, da vida nova, da profecia de que tudo foi criado em Cristo, por ele e para ele. Ora ele significa a maior reconciliação da criatura com o Criador. Enquanto Filho de Deus torna presente para nós o amor divino. Enquanto filho de Maria leva a humanidade até as alturas de Deus. Por seu meio, tudo entra no mundo da luz. O pecado já está vencido na raiz. Continua infelizmente na fragilidade, sobretudo da ganância e da injustiça. Mas onde ele abundou, diz S. Paulo, aí superabundou a graça. Onde, portanto, existe em abundância a força destruidora do sistema econômico, aí também está a força maior de solidariedade, de respeito, de harmonia, de justiça social. Nessa esperança apostamos. Os sinais de economia solidária a brotar por todas as partes estão a fortalecer-nos o sonho e a apontar para o caminho escatológico em direção ao Ponto Ômega, na concepção visionária de Teilhard de Chardin. Para lá caminhamos. |
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