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Artigos: Drama dos drogados  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/11/7
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Drama dos drogados

J. B. Libanio

 

                   Páscoa está aí. Somos todos convidados a participar já da ressurreição de Jesus. Nada mais maravilhoso do que encarar a Campanha da Fraternidade, que escolheu o tema da cultura da vida diante do mundo da droga, sob a perspectiva da morte e da ressurreição de Jesus. Voltamos o nosso olhar para os dependentes de drogas. Eles estão, de certo modo, adscritos ao mundo da morte e o nosso desejo e trabalho é para que ressuscitem, que voltem ao mundo da vida.

                   Pensamos nessa reflexão nos que se tornaram dependentes da droga. Eles têm atrás de si um drama. Sem conhecê-lo, qualquer juízo é precipitado e injusto. Muitas vezes atribuímos-lhes qualificativos pesados. Pechas que colam mais que os adesivos modernos.

                   Todo drama precisa dispor de um espaço de escuta atenta e compreensiva. Eis o primeiro passo. Os tocados pela droga necessitam poder falar a alguém, que os ouça com a empatia do amor e da misericórdia. Falar já é libertar-se parcialmente. Alivia o peso do alimento indigesto que enche o inconsciente com seus gases corrompidos. Às vezes, cheira mal. Mas a misericórdia tem forças para estar junto e acolher as histórias de vida.

                   Já lá em baixo pelo momento catártico, o paciente carece de reencontrar ou criar a autoestima perdida ou nunca desenvolvida. Sem ela, não se está em pé. Alguém cria autoestima não à base de palavras falsas, nem de elogios sem base, mas de um processo realista de autoconhecimento e da experiência de que outros o amam e se põem a seu lado para a subida. Não se está sozinho nessa travessia do rubicão.

                   Nada tão confortante para o ser humano do que a companhia, como nada tão desesperante como o isolamento, a solidão vazia de Deus e dos humanos. Quanto mais presença, mais chance de o dependente erguer-se em seus pés, como o paralítico que Pedro cura em nome de Jesus Cristo:  “no mesmo instante os pés e calcanhares se consolidaram, de um salto ficou de pé e começou a andar. Entrou com eles no Templo, andando, saltando e louvando a Deus” (At 3, 7-8).

                   Parábola da cura de um dependente. Lá está ele como o paralítico: incapaz de andar, de sair de sua situação. Precisa vir um Pedro, cheio da experiência do Jesus ressuscitado. Ele que um dia também esteve medrosamente envolvido nas malhas da traição, mas de lá saiu pela força do olhar de Jesus. Precisa ouvir uma palavra forte que lhe diga: Tem confiança, levanta-te e anda! Precisa acreditar nessa força e sair andando, saltando, louvando a Deus.

                   A acolhida humana, a experiência religiosa e de fé são forças que podem ajudar o dependente a erguer-se de sua situação. Quando é uma cura simplesmente física, basta um único gesto como o de Pedro. Mas quando ela deve ir fundo no coração humano, quando existe o perigo da recaída, da volta ao passado de dependência, só um grupo novo de apoio, de amizade, de relações constantes consegue manter o curado na sua saúde psíquica e espiritual, sobretudo longe daqueles que lhe foram a ocasião da ruína.

                   Enquanto houver um resquício de humanidade em alguém, sua reabilitação será possível. Toca soprar-lhe esta brasa e alimentar esse fogo de vida. Neste dia salvou-se uma existência, devolvendo a alguém a esperança de viver. (Enviado para HOS – março 2001).

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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