| Artigos: Redes sociais | |||
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Redes sociais J. B. Libanio O Tempo – 09 de outubro de 2011 A tecnologia revolucionou-nos a cultura e a vida. Lá nos primórdios, a lentidão das conquistas humanas permitiu estabilidade ao lado de muito sofrimento. O sábio bíblico não conseguia ver se não que “o que foi, é isto mesmo que será. E o que foi feito, é isto mesmo que vai ser feito: não há nada de novo debaixo do sol. Uma coisa da qual se diz: “Eis aqui algo de novo”, ela já nos precedeu, nos séculos que houve antes de nós” (Ecl 1,9s). Assim viveram os antigos. A explosão da tecnologia começa com o vapor, caminha pelo uso do combustível, adentra na eletricidade e agora avança pela tecnotrônica, nanotecnologia, high tech, tecnologia de comunicação e tantos nomes mais. Ao liberar o corpo de tanta carga, ao poupar a lentidão das distâncias pela rapidez do deslocamento, a tecnologia deixou-nos livres para atividades cerebrais, intelectuais e espirituais. Nesse momento, a informática, a telemática, a eletrônica encontraram espaço para difundir-se em gigantesca rapidez. Já se fala de bilhões de celulares, dotados de internet, que conectam as pessoas em qualquer parte do mundo. Duas possibilidades se nos abriram. Exacerba-se o individualismo. As pessoas cultivam relações do próprio eu para outro eu. Mesmo quando transitam rapidamente de um indivíduo para outro, no fundo se cantam músicas de duas vozes em cada momento da relação. Muitos permanecem nesse nível. Relacionam com inúmeras pessoas, mais individualmente. Abrem ou fecham o relacionamento quando lhes dá na telha. A telemática não rompe o individualismo. Agrava-o. Realiza-se então a metáfora de Kierkegaard: somos ouriços, que se nos aproximamos, ferimo-nos. Isolando-nos, morremos de frio. Então assistiremos à morte de frio de muitos na solidão internética. No entanto, abre-se outra maravilhosa possibilidade. Criam-se redes de comunicação. As pessoas não se isolam nem mantêm unicamente relações duais, mas entram em grupos, constroem chats, estabelecem conversações grupais on-line. Trocam mensagens escritas em tempo real com diferentes pessoas. Com webcam e com determinados programas, elas se veem e se ouvem, alimentando relações virtuais com diversas pessoas simultaneamente. As redes sociais se multiplicam em torno de pessoas, de assuntos, de temas, de interesses, desde os mais sublimes e profundos até os de níveis baixos e aviltantes. Espada de dois gumes. Servem para promover causas políticas e sociais até mundiais, como para organizar crimes, manter pessoas doentias sob o seu império. Um site de suicídio que estabelece conversas sobre esse assunto se torna, não raro, o último toque para que alguém, à beira de tal situação, termine se tirando a vida. Infelizmente o campo de perversão sexual tem sido alvo de redes criminosas, corrompendo crianças e adolescentes, e alimentando adultos perversos moralmente. Tais redes têm aberto, porém, excelente campo para transformações sociais e políticas. Se o Egito, a Líbia e agora alguns países ocidentais capitalistas já mostraram a eficiência de tal recurso político, cabe-nos a responsabilidade e a lucidez de usá-lo para aprimorar o regime político democrático brasileiro, banindo as mordomias e a corrupção. |
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