| Artigos: A missão do agente pastoral | |||
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O olhar do teólogo A missão do agente pastoral J. B. Libanio Jornal de Opinião – setembro de 2011 O termo pastoral vem etimologicamente da imagem do pastor. De origem bíblica, revela, porém, universo cultural tradicional em que os rebanhos caminhavam em busca de pastagem, comandados por pastores. Hoje já não vemos tais cenas. O gado se alimenta confinado em manjedouras bem nutridas com alimento balanceado. Mais. A ideia de pastor antecede à descoberta da subjetividade, da autonomia e da consciência de liberdade das pessoas. Ninguém deseja hoje ser pastoreado por nenhuma autoridade. Apesar de a metáfora carregar em si certo ranço autoritário, ela segue em uso. Implica de nós lucidez para não nos deixarmos facilmente levar pela força da experiência de origem. Pastoral, na perspectiva atual, desloca a ideia de sermos orientados por algum pastor para nossa ação, como corpo eclesial, na totalidade e na igualdade fundamental do batismo. Trata-se do agir de toda a Igreja, de todos os batizados, em dois movimentos diferentes. Num primeiro, a pastoral visa à vida interna do corpo eclesial. Aí vale a reflexão de Paulo. Pelo batismo, recebemos carismas diversificados. Ninguém está de fora, mas existe enorme diferença entre as qualidades humanas e espirituais das pessoas. Não se trata de mais nem de menos e sim de diferença em igualdade básica batismal. Sob certo sentido, todo batizado se investe pela força do sacramento de poder e de capacidade atuante na Igreja. Faz-se agente de pastoral. Evidentemente nem todos têm a mesma disponibilidade afetiva, de tempo, de ânimo, de percepção interna da própria vocação. Daí a imensa diversidade de funções e de graus de compromisso. A Igreja na expressão institucional, nos diversos níveis, recebe as disponibilidades das pessoas e organiza-as em função de objetivos. Normalmente chamamos de pastoral esse tipo de organização que alcança inúmeros campos de atuação no interior da vida eclesial. Haja vista, como exemplo, as pastorais da catequese, liturgia, noivos, coroinhas, sacramental, acolhida, aconselhamento, ministro da eucaristia, exéquias, visita aos doentes, bênção de casas, ministro da palavra, da juventude, etc. Outro olhar pastoral se dirige para fora da Igreja. Os campos se multiplicam e se complexificam. Se abrirmos o site da CNBB, veremos longa lista de pastorais, especificando os espaços de atuação na sociedade, na cultura, no diálogo com as outras denominações cristãs, religiões, grupos humanos. À guisa de exemplo, cito algumas pastorais da Igreja do Brasil: Afro-Brasileira, dos Brasileiros no Exterior, Carcerária, da Comunicação, da Criança, da Cultura, dos afetados por Doenças Sexualmente Transmissíveis, da Educação, do Menor, dos Migrantes, da Mulher Marginalizada, dos Nômades, Operária, dos Pescadores, dos Idosos, do Povo da Rua, da Saúde, da Sobriedade, da Terra, do Turismo, sem falar do nome algo genérico de pastorais sociais. Qualquer batizado, ao olhar para gama tão extensa de pastorais internas e externas à vida eclesial, certamente encontrará onde investir as próprias qualidades, o desejo de servir, a vontade de ser Igreja ativa. Numa palavra: agente de pastoral é todo batizado envolvido com alguma das atividades da Igreja no seu interior e/ou no mundo. |
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