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Artigos: A Ética e o futuro  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2008/12/21
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A Ética e o futuro

J. B. Libanio

 

                        O futuro encontra-se diante de nós de diversos modos. Anuncia-se nos fatos presentes de tal modo que se faz mais que previsível. Quase determinado. Existem tantos e tais fatores em dado momento que se deduz com facilidade o que virá. Quanto mais nos aproximamos da natureza, das realidades físicas, tanto mais se torna evidente o vínculo do presente com o futuro. Os cálculos estatísticos têm-se desenvolvido de tal maneira que os matemáticos anunciam fatos futuros como se estivessem lendo números.

 

                        Esse jogo entre presente e futuro mediado pelos números traz implicação ética. não temos direito de prescindir dessas simulações matemáticas para medir a eticidade de atos presentes. Imagine-se a construção de uma usina de eletricidade. Parece inocente. O crescimento industrial se estrangula, se não o acompanha igual produção de energia elétrica. Fato evidente que parece justificar eticamente as construções de usinas produtoras de eletricidade. Onde entra a ética. A construção se faz no presente. Justifica-se pela necessidade imprescindível de seu produto.  terminaríamos a consideração, se não interviesse novo fator de previsão do futuro pela via dos estudos das conseqüências previsíveis do uso desta ou daquela fonte de energia.

 

                        A ética se alimenta do futuro e traz os imperativos para o presente. As ciências nos assinalam os riscos, os malefícios, os perigos de experiências ou decisões presentes com tal clareza que elas não podem ser tomadas sem se levarem tais reflexões em consideração.

 

                        O futuro surge também da criatividade humana, ao superar os traços postos no presente. Escapam, neste caso, da probabilística da estatística. Pertence ao mundo da fantasia, da criatividade, da utopia. Então a ética submete a simulação futura a seu juízo como se fosse um presente. O que eticamente não cabe no amanhã, também não pode ser planejado e iniciado hoje. Na linguagem de Hans Jonas, o mal imaginado deve assumir o papel de mal experimentado. Imaginar o mal de amanhã significa imaginá-lo hoje. E como hoje eticamente é-nos vedado praticá-lo, assim também imaginá-lo.

 

                        Sacrifica-se o presente por causa do futuro. É ético? Na década de 60 e 70, uma juventude idealista no Brasil queimou anos de folguedo e até a vida, ao apostar no futuro socialista do país. Foi ilusão e engodo forjado por ideólogos inescrupulosos que exploraram o ardor juvenil ou significou momento de altura ética que estamos a perder? O futuro merece o presente quando ele o penetra de grandeza e carrega em si algum valor absoluto. O absoluto nunca se reduz a uma dimensão de tempo quer passado, presente ou futuro. É onipresente e eterno. Vale por ele mesmo em qualquer momento ou lugar que o antecede, o plenifica e o ultrapassa. Ele torna ético o agir humano.

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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