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Artigos: Os bastidores da guerra  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/9/8
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O olhar do teólogo

Os bastidores da guerra

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – março de 2003

                   Quanto mais complicado o tecido, tanto mais emaranhado o seu avesso. A guerra é uma rede intricada de interesses. Estão em jogo as máquinas mais poderosas do dinheiro, da política até as idiossincrasias das pessoas envolvidas nas decisões. Para quem está fora da trama interna do drama da guerra, cabe unicamente arriscar descobrir os interesses mais claros e suspeitar de outros.

                   É óbvio que a indústria armamentista é a mais interessada na condução de uma guerra. Ela vive da e para a guerra. Se reinasse a pura paz no mundo sem violência internacional e local, ela iria à falência por falta absoluta de consumidor. O reinado da violência das guerras externas e intestinas é-lhe o combustível mais precioso.

Portanto, no início da guerra, está o capital produtor de armas. Ele cresce à medida que as armas se consomem. Robustece à custa da morte, da destruição que suas armas produzem. É o capital mais criminoso que existe. Necrófilo. Tanto mais pujante é este capital quanto mais ele se traduz em armas jogadas sobre as cidades, sobre os inimigos. É o ódio feito metal, feito tecnologia. É o lado mais escuro da humanidade. É o mistério da iniqüidade. Diante dele, só há uma posição cristã possível: seu fim absoluto.

                   Na guerra contra o Iraque entram os interesses das empresas de exploração de petróleo. Luta-se pelo controle da segunda maior reserva petrolífera do mundo. O sonho americano é colocar um preposto que comande toda a produção e comercialização do petróleo. De novo, bilhões de dólares estão envolvidos.

                   Em profunda ligação com as indústrias bélica e petrolífera está o capital financeiro. Ele irriga-as e colhe delas lucros astronômicos. A globalização do capital financeiro faz girar cada dia trilhões de dólares em busca de lugares onde conseguem os maiores lucros. A oscilação desse capital pelas ameaças da guerra geram para os entendidos rendimentos altíssimos. É muito dinheiro para que se acredite em outras causas, que aliás são as veiculadas pela imprensa. As verdadeiras ficam camufladas.

                   A guerra se trava entre os EE. UU. e Iraque. Entra em ação o lado simbólico religioso. A direita religiosa americana, extremamente reacionária e interessada nos lucros da guerra, agita o argumento do fundamentalismo religioso cristão protestante em oposição ao fundamentalismo islâmico. Alça-se no céu simbólico da religião o jogo maniqueu da luta das forças do bem contra as do mal. O outro é o demônio. O diferente é o mal. O fundamentalismo muçulmano é o reino do mal. Em oposição, estão os EE. UU. como expressão do reino do bem. E essa simbologia consegue iludir boa parte de uma população ingênua e autocentrada. A convicção de que eles, os americanos, são generosos e defensores do bem da humanidade atravessa a consciência de muitos de seus habitantes. Não se imagina facilmente o  impacto e também a repulsa que a carta do cardeal de Boston ao presidente Bush causou na opinião pública americana. Lá ele escrevia com todas as letras: “Somos alvo dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana... E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas”. Conclui dizendo: “ Deveríamos ser bons em vez de maus”. O cardeal inverte o jogo ideológico.

                   E finalmente paira a terrível suspeita de que essa guerra seja uma vingança do filho Bush diante da obra incompleta e fracassada do pai Bush de destruir o regime de Saddam Hussein. Esse obscuro cenário não deve paralisar-nos. Só a luz da verdade, do bem, da ética, da transparência espanca as trevas da mentira, do engodo, dos interesses escusos.

                  

 

 



O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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