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Artigos: Terceiro Setor  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2011/9/8
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O olhar do teólogo

Terceiro Setor

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – agosto de 2003

                   O surgimento do Terceiro Setor reflete a ambigüidade do atual sistema. Tem dupla face. Face escura de um Estado, o Primeiro Setor, que já não dá conta de cumprir sua função social. Ele existe principalmente para defender os mais fracos, pobres, deserdados, visto que os poderosos sabem muito bem como fazê-lo. O neoliberalismo estabeleceu entre os dogmas centrais o enxugamento do Estado e, de modo especial, o do Estado do Bem-estar Social. Abriu-se uma cratera de miséria, de insegurança social.

                   A face luminosa do Terceiro Setor origina-se da percepção da insuficiência do Segundo Setor que cuida das questões individuais e não se preocupa com a dimensão social. Pessoas então desse setor privado começam a investir energias, vida, tempo nas questões sociais por meio de inúmeras instituições. Surge o Terceiro Setor. São organizações sem fins lucrativos e não governamentais que têm como objetivo gerar serviços de caráter público.

                   Arma-se um exército de instituições beneficentes, alimentadas por doações de diversas fontes. São Fundações, ONGs, Empresas de Responsabilidade Social, Entidades Sem Fins Lucrativos e inúmeras outras. Há mil formas de organizar instituições para cuidar dos carentes. É a filosofia da formiga em vez da cigarra. Esta canta durante a colheita e pena no inverno. A formiga armazena na primavera para enfrentar a carência dos tempos frios. Assim muitas Fundações destinam, em momento de vacas gordas, somas de dinheiro para virem em auxílio dos necessitados, sobretudo quando batem as horas de penúria.

                   Numa sociedade humana nem tudo são belezas. Há instituições do Terceiro Setor que cuidam de interesses de poucas pessoas e não necessitadas, como Clubes Esportivos, Universidades, certos Hospitais, que servem a público seleto. Entidades Sem Fins Lucrativos inflacionam esse setor. Sabemos que aí se imiscuíram inúmeras que acabam sendo lucrativas. Por isso, trava-se, no momento, uma luta surda no Governo contra tais entidades. De novo, cabe discernimento acurado para não arrancar junto com o joio da ganância, da esperteza, do ludíbrio da lei aquelas obras beneficentes que são trigo graúdo.

                   Ao discutir-se sobre o Terceiro Setor, num país carente como o Brasil, a preocupação deveria encaminhar-se na linha de sua missão social, sem, no entanto, dispensar o Estado de suas obrigações. A palavra-chave hoje é parceria. Ela implica a cooperação das partes. O governo e instituições do Terceiro Setor, quando transparentes, conseguem levar juntos serviços de alta valia social na linha da saúde, educação, lazer.

                   Num momento cultural de extremo individualismo, o Terceiro Setor cumpre  função fundamental de contrapeso social. Há idealismo sonolento no coração, especialmente de muitos jovens. Como acordá-lo? O Terceiro Setor, com imaginação criativa, oferece opções para canalizar esse potencial espiritual de solidariedade humana. Um país, que não desenvolve tais sentimentos e se fecha no egoísmo de seus indivíduos, alimenta uma cultura de morte. Realiza tragicamente o que o filósofo francês noutro contexto afirmou: “Os outros são o inferno”. E como sempre haverá outros, a vida em sociedade tornar-se-á cada vez mais infernal.

                   A visão cristã afirma o contrário. Os outros são o céu. À medida que nos abrimos para eles, mais inunda-se-nos a alma de felicidade, alegria e paz. O espírito cristão insuflado no Terceiro Setor transforma-o em esperança para o futuro. Acredita-se que se multiplicarão nos próximos anos, não por esperteza e para escapar de impostos, mas por espírito cívico e solidário, as instituições de cunho social e comunitário em vista da melhoria da condição humana dos mais carentes. São os sonhos utópicos para o Terceiro Setor.

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O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é um projeto sem fins lucrativos comprometido com a Evangelização para mais servir e amar.
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