| Artigos: Massacre na Noruega | |||
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Massacre na Noruega J. B. Libanio O Tempo – 07 de agosto de 2011 A poeira do noticiário sobre a chacina na Noruega se assentou. Começa o tempo da reflexão e das conclusões. Anders Behring Breivik, 32 anos, protagonista do atentado, levantou o véu que cobre a sempre perigosa facção da extrema direita, feita de dois braços. Um se orienta contra quem não faz parte do grupo de olhos de azuis ou não comunga o extremismo religioso. Outro estende-se contra todos os pobres que buscam a Europa como Meca de sonhos consumistas e materialistas, deixando para trás a própria terra da pobreza e doença. A Europa branca apenas se dá conta do germe da sanha terrorista que esconde em seu seio. O inimigo que ela detecta já não está lá fora, em outro continente, mas dentro dela. Daí surtos racistas, nacionalistas xenófobos, religiosos anti-islâmicos, alimentados por outras fobias mais. A riqueza, a exploração de outros povos não trouxeram paz. O fim da Segunda Mundial não significou nova Europa. O sistema capitalista não toma consciência de que as injustiças sociais que implanta violentamente explodirão nalgum momento e dentro dele mesmo. Piques de violência atingem até países que pareciam habitar a plenitude final do capitalismo: condição de vida elevada, ordem, limpeza, assepsia geral das instituições. Pois bem, num deles detonou a tragédia que custou vidas de jovens do Partido Trabalhista em acampamento de verão. Solução fácil, em via de viabilizar-se, consiste em remeter o caso à psiquiatria. Afirma-se sem mais: Anders é um doido e aos doidos restam-nos a compaixão e o internamento, quando perigosos. A cultura, o sistema, os valores propagados, o papel ambíguo da mídia, as injustiças sociais em crescimento, o desvario do capital financeiro: nada disso tem a ver com tal crime! Todos trajam a mesma veste batismal do Ocidente. Curemos ou internemos os loucos, previnamo-nos contra seus ataques com polícia rápida e bem adestrada e vivamos em paz! O erro, já apontam alguns jornais, nessa tragédia deveu-se à lentidão policial. Um tiro acertado teria evitado tudo. E os dias correriam sem tumulto. Outro caminho de reflexão não absolutiza tais fatos, mas vê-os como sintoma de doença grave que grassa no Ocidente. A enfermidade se manifesta em níveis fundamentais da existência humana. E a teologia vem-nos em auxílio, tanto para desfazer a argumentação fundamentalista cristã como a ateia racionalista. Aos cristãos, lembra que nascemos da comunhão trinitária e feitos para ela. Ódio, exclusão, fobias contra seres humanos contradizem-nos a estrutura última, criados por um Deus amor trino. O fundamentalismo cristão desconhece a própria raiz do Cristianismo e põe-se na fronteira oposta ao cerne último da fé cristã. Aos ateus, a teologia recorda que o materialismo hedonista destrói as raízes de solidariedade, de partilha, de sociabilidade humana. De novo, volta-se à mesma crítica desde a raiz criadora do Deus trindade de amor e do Filho que entrega a vida por amor. A Europa rica e capitalista quer só ganhar. Então Jesus acrescenta: tem tudo a perder! Se pensar em dar-se e perder-se pelos outros, aí terá vida e vida em plenitude, continua o mesmo Senhor. |
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