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Um breve fragmento da Apresentação
do volume VI de Um outro olhar - Coletânea de Homilias de J.B. Libanio S.J.:
... "Toda boa homilia, para ser fruto de uma oralidade preparada, cultivada,
precisa, em primeiro lugar, que a comunidade habite o coração do pastor. Desse
modo, ele nunca pode estar plenamente só, na solidão do seu gabinete, quando
organiza o que dizer no momento celebrativo. A comunidade já está ali, como
representação, amada e desejada, para iniciar a peregrinação para mais além. P.
João está atento a essa condição, quando explicita de forma clara, em seu livro
dedicado ao saboreamento da celebração eucarística, que "a meditação sobre o
texto diante de Deus, com o olhar voltado para a comunidade, tem enorme força
maiêutica, isto é, de arrancar do profundo de nosso ser considerações e
reflexões que ultrapassem o óbvio e a banalidade do cotidiano ou cientificismo
pedante do acadêmico..."" (P. Carlos James, SJ - Centro Cultural de
Brasília)
Se você quiser adquirir qualquer
volume da Coletânea de Homilias basta entrar em contato com Marta Martins pelo
e-mail: martatins@yahoo.com.br. Cada volume tem o valor de R$ 18,00, incluso o
frete para qualquer parte do país.
(Todo valor recolhido dos
livros vendidos é revertido para atividades sociais e manutenção do site
jblibanio.com.br. O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é uma
organização sem fins lucrativos e comprometida com a Evangelização para mais
servir e amar.)
Abaixo, oferecemos uma das 53
homilias compiladas neste sexto volume. Apreciem!
AMAR É QUERER QUE O OUTRO SEJA ETERNO
(Gn 2, 18-24/Mc 10, 2-16)
Se alguém quer entender essa leitura,
terá que dar mergulhos mais profundos. Muitas vezes, o seu sentido imediato,
soa forte, e não é fácil entender o que o Senhor quer nos ensinar.
Tomemos
primeiro a leitura do Gênesis. Antes que conhecêssemos o que chamamos gênero
literário, ou seja, como as escrituras foram escritas, imaginávamos que esse
texto fosse uma descrição do início do mundo. Uma descrição bonita de um lugar
para onde todos iríamos, como um casal no paraíso. É até bonito pensar assim.
Mas, hoje, sabemos que não é isso que aconteceu.
Estava lendo uma tese sobre os ciganos, defendida por um jovem paulista.
Ele pesquisava como os ciganos se perguntam de sua origem. Há uma tradição que
diz que eles vieram de Caim, porque trazem uma marca assassina, nômade,
viajando sempre. Eles imaginavam e acreditavam que vieram de Caim. Isso para
dizer da necessidade que temos de nos colocar lá no início, na origem. É claro
que não vieram de Caim! Outra tradição diz que, quando os egípcios entraram no
mar e se afogaram, um casal escapou, e, desse casal, eles vieram. Tanto que a
palavra cigano, em inglês, é gipsy, que dá em egípcio. Não quero
com isso dar uma aula de mestrado para vocês, mas mostrar que todos nós
trazemos esta grande pergunta: de onde viemos?
Israel também se fez essa pergunta, e nos contaram essa história de Adão
e Eva. Pensamos que era uma história com H maiúsculo, mas, na verdade, é uma
estória, com E. Isso é uma maneira de irmos mais profundo no mistério. Vejam
que Teologia belíssima! Deus traz para Adão todos os animais, mas ele não se
identifica com nenhum. O judeu se achava maior que o animal. Sabia que era
espírito, a essência de Deus. Naquele momento, Adão olha todos os animais e não
encontra nenhum semelhante a ele. Isso é teológico! É que muitas vezes nos
esquecemos disso. Quantas vezes descemos ao nível mais animal que os próprios
animais! Vocês acham que as pessoas que vivem se entregando a esses desvarios
gigantescos não são mais animais que os animais? Esses, que planejam a morte,
não são mais animais que os animais? Pois bem, Adão não se identificou com
nenhum dos animais que o Deus lhe apresenta e, então, Eva nasce do seu corpo,
de sua costela. Devemos ver nisso uma proximidade profunda entre o homem e a
mulher. É essa igualdade radical que o judeu já percebia: que homem e mulher
fazem uma unidade tão profunda, que nenhum pode usar e abusar do outro. Olhem
que profundidade! Nenhum é instrumento do outro. São seres livres, racionais,
que se amam na igualdade, porque são da mesma carne. Essa expressão "mesma
carne" é a radicalidade da igualdade que temos. Parece que só agora as mulheres
descobriram o que Adão e Eva tinham descoberto há milhões de anos.
Essa passagem do evangelho parece tão moralista, mas não é. Jesus não é
moralista, e vai muito mais fundo. Primeiro, há uma teologia social escondida.
É claro que o homem não repudiava a mulher, mas a entregava à miséria, ao
desprezo. Jesus diz que não. O homem não tem o direito de repudiar a mulher.
Não temos direito de repudiar nossa igualdade, de qualquer forma que seja. Não
é só no matrimônio, mas é o repúdio a qualquer pessoa. Nós temos tanto repúdio,
tanta rejeição, tanto ódio, que não entendemos que o Senhor quer nos ensinar
esse amor pelos outros. E vai mais longe ainda: é que talvez nunca entendamos a
verdadeira natureza do amor.
O amor só pode ser definitivo e eterno. Se alguém disser para outra
pessoa: "eu te amarei por dez dias", isso não é amor, mas outra coisa. Não é só
no matrimônio, mas em qualquer ato de amor, que tem dentro de si a densidade da
eternidade. Há um pensador que dizia: "Amar é dizer ao outro: você é eterno!".
Amar é querer que o outro seja eterno. Qualquer pessoa que seja - um pobre, um
miserável, uma prostituta, um bêbado - se eu amo, vou dizer-lhe: "Não quero que
você seja eterno nessa situação de indignidade, de desprezo, de aviltamento. Quero
que você seja eterno na dignidade do seu ser. Não no repúdio, mas no amor".
Se lermos esse evangelho sob essa ótica, veremos que Jesus vai muito
longe, e que nós, nesta sociedade moderna, ainda nem percebemos que o amor é
desejo de eternidade e dignidade. Amém. (05/10/03)
ATENÇÃO: Caso você queira comprar este volume de homilias de Pe. João Batista
Libanio, você poderá fazer o pedido enviando uma mensagem de email para
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aos cuidados de Marta Martins. Para cada livro, cobramos o valor
simbólico de R$ 18,00 por unidade. Neste valor já está incluso o custo
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a vontade para entrar em contato conosco.
(Todo valor recolhido dos livros vendidos é revertido para atividades sociais e manutenção do site jblibanio.com.br. O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é uma organização sem fins lucrativos e comprometida com a Evangelização para mais servir e amar.)
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