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A quarenta anos do final do Concílio

O olhar do teólogo

A quarenta anos do final do Concílio

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – abril de 2005

                   O Concílio Vaticano II terminou no dia 08 de dezembro de 1965. Pertence já à história. Seus textos estão entregues aos estudos dos especialistas que lhes pesquisam o jogo interno das tendências teológicas e pastorais

                   Ele continua marcando a vida eclesial pelas instituições que diretamente criou, pelo espírito que gerou, pelos contínuos resgates possíveis de sua riqueza teológico-pastoral.

                   Trouxe um novo alento à teologia, pondo-a em confronto com os desafios abertos pela Reforma protestante, pelas ciências modernas, pelo novo espírito de autonomia, pela situação de opressão e marginalização no 3o Mundo e enfim por todo um clima cultural que se acentuou depois da 2a Guerra Mundial. Nas suas águas nasceram a teologia moderna européia e a teologia da libertação.

                   O Concílio provocou profunda renovação na pregação, na catequese, no ensino nos Institutos, na pastoral. Gestou nova concepção da Igreja como Povo de Deus, como sinal e sacramento do Reino de Deus na valorização de sua base batismal, laical. Acentuou a importância da ação salvífica de Cristo ressuscitado no mundo, na história.

                   Despertou-nos para uma crescente valorização do Jesus da história em sua humanidade, cheio de ternura e misericórdia em lugar de um Deus distante de nós. Prolongou com o vigor renovado a reforma da liturgia, entendida fundamentalmente como celebração do Mistério pascal. Valorizou o significado profundo do símbolo. Tornou os ritos mais inteligíveis e convidativos à participação dos fiéis. Impulsionou o diálogo ecumênico e inter-religioso e com os não crentes.

                   Sobre esse lado luminoso do Concílio, abateram-se também ondas conservadoras, provocando retornos a aspectos tradicionais da teologia, levantando vagas espiritualistas superficiais, alimentadas por uma literatura de consolo, de autoajuda, centrada na subjetividade e na emoção.

                   Certos avanços do Concílio foram bloqueados por faltarem instituições que o levassem à frente. Em termos jurídicos modernos, não houve a devida regulamentação e portanto uma efetivação real e concreta.                      O Sínodo dos Bispos foi a principal instituição eclesiástica pós-conciliar. Quis traduzir o espírito de colegialidade. Mas não vingou tanto quanto se esperava. Manifestou certo sinal de comunhão dos bispos com a Sé romana, mas não ultrapassou o nível da consulta nem adquiriu autonomia e poder próprio. Mesmo em relação a ele predominou o aspecto centralizador da atual conjuntura eclesial.

                   Que ficou mais do Concílio Vaticano? Um espírito de abertura, de diálogo, de compreensão, de ecumenismo, de vigor litúrgico, de participação dos leigos na pastoral interna e social, de colegialidade, de compromisso com os pobres e com a transformação da realidade. Muita riqueza.

                   O que mais falta é uma reforma profunda das instituições de poder da Igreja que possibilite maior e melhor concretização do espírito que ele gerou. Fica-nos o desejo de que o Espírito Santo nos acompanhe na viagem da Igreja sob o novo Papa. Tudo pode apagar em nós, menos a vela da esperança que é capaz de acender as que foram extintas por ventos adversos. Peguy poetando nos deixou esse grito de esperança: "Não há noite tão longa que não termine na aurora".

 


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